Kim Jong-un consolida filha Ju Ae como possível sucessora, diz agência de espionagem
Ela tem feito aparições cada vez mais frequentes e centrais na propaganda oficial nos últimos anos
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, parece ter consolidado sua filha Kim Ju Ae como sua sucessora antes de uma importante conferência do partido governista, afirmou um legislador sul-coreano nesta quinta-feira, 12, citando um relatório da principal agência de inteligência da Coreia do Sul.
“No passado, o Serviço Nacional de Inteligência (NIS) descrevia Kim Ju Ae como ‘em estudo para suceder’, mas hoje a expressão usada foi que ela ‘está na fase de ser nomeada internamente como sucessora'”, disse o parlamentar Lee Seong-kweun após uma reunião a portas fechadas com o NIS.
A avaliação “levou em consideração uma série de circunstâncias, incluindo sua presença pública cada vez maior em eventos oficiais”, declarou Seong-kweun.
A NIS informou ainda que vai monitorar se a filha de Kim Jong-un participará da próxima reunião do Partido dos Trabalhadores, marcada para o final de fevereiro, e de que forma ela será apresentada — inclusive se receberá algum título oficial.
Aparições cada vez mais frequentes
Segundo analistas e a agência de inteligência da Coreia do Sul, Kim Ju Ae tem feito aparições cada vez mais frequentes e centrais na propaganda oficial nos últimos três anos, o que indicaria um movimento deliberado de Kim Jong-un para apresentá-la como herdeira política, tornando-a potencialmente a quarta representante da dinastia Kim no poder.
A Coreia do Norte nunca confirmou oficialmente a idade da jovem. Acredita-se que ela tenha nascido no início da década de 2010.
A presença de Ju Ae em eventos oficiais segue um padrão observado em regimes autoritários e monarquias políticas, em que sinais simbólicos antecedem decisões formais.
Em setembro, ela acompanhou o pai em sua primeira viagem internacional conhecida, a Pequim, reforçando a leitura de que sua projeção pública não é episódica.
Especialistas lembram que Kim Jong-un teria outros filhos, cujos papéis permanecem desconhecidos, o que impede conclusões definitivas sobre a sucessão. Ainda assim, a exposição controlada de Kim Ju Ae contrasta com o histórico de sigilo extremo do regime e é vista como um movimento calculado, observado de perto por serviços de inteligência e pela imprensa internacional.
Casos anteriores, como a transição de Kim Jong-il para Kim Jong-un, também foram marcados por aparições graduais antes da consolidação do poder, o que reforça a interpretação de que, na Coreia do Norte, os gestos públicos costumam antecipar mudanças políticas profundas.





