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Justiça argentina acusa ex-funcionário do governo Milei de chefiar esquema de corrupção

Investigação aponta propinas, contratos direcionados e desvio de recursos ligados a Diego Spagnuolo, ex-diretor da Agência Nacional de Deficiência

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 fev 2026, 18h37 •
  • A Justiça da Argentina acusou o ex-diretor da Agência Nacional de Deficiência (Andis), Diego Spagnuolo, antigo funcionário do governo do presidente Javier Milei, de liderar um esquema de corrupção que envolvia pagamento de propinas, fraude contra o Estado e desvio de recursos públicos. A decisão, assinada pelo juiz federal Sebastián Casanello, tornou-se pública nesta segunda-feira, 9.

    Além de Spagnuolo, outras dezoito pessoas foram processadas, entre servidores da agência e empresários do setor de saúde. Todos tiveram os bens bloqueados. Segundo o magistrado, ficou comprovada a existência de uma “organização criminosa” instalada dentro da Andis, que atuou entre 2023 e 2025 para favorecer interesses privados em detrimento do interesse público.

    “A agência foi cooptada e usada como meio de enriquecimento para os membros da organização, em claro prejuízo de sua finalidade pública, que é a proteção e o cuidado das pessoas com deficiência”, afirma a decisão judicial. De acordo com o processo, o grupo abusava de situações de emergência para contornar os processos regulares de licitação e direcionar contratos multimilionários a empresas farmacêuticas previamente escolhidas.

    A investigação também revelou que a concorrência entre fornecedores era, na prática, uma encenação. Quatro farmácias se revezavam na apresentação de propostas, garantindo que sempre uma delas vencesse os contratos. Em muitos casos, os valores apresentados eram injustificadamente mais altos do que os praticados em outras licitações.

    Entre os elementos que pesaram contra Spagnuolo está a apreensão de uma máquina de contar cédulas em sua residência — item que, segundo o juiz, é compatível com a movimentação clandestina de dinheiro em espécie, já que o cargo público impediria transferências bancárias diretas.

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    O caso veio a público em agosto do ano passado, após o vazamento de áudios atribuídos a Spagnuolo, nos quais ele afirmava que Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, receberia 3% do valor pago pela agência na compra de medicamentos. Spagnuolo deixou o cargo dias depois.

    Os áudios, no entanto, não foram usados como prova pelo Ministério Público nem pelo juiz, que basearam a acusação em documentos, buscas e depoimentos. Karina Milei não foi acusada.

    A Andis foi dissolvida em dezembro pelo governo Milei e suas atribuições foram transferidas ao Ministério da Saúde. Desde a posse do presidente, a agência estava sob auditoria, que identificou dezenas de milhares de beneficiários irregulares. O processo provocou interrupções nos serviços e uma série de protestos de beneficiários, em meio ao duro ajuste fiscal promovido pelo governo.

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