Jimmy Lai: empresário pró-democracia é condenado a 20 anos de prisão em Hong Kong
Um dos críticos mais ferrenhos da China, magnata da mídia foi condenado por 'conspiração com forças estrangeiras' e publicação de 'material sedicioso'
Considerado um dos mais ferrenhos críticos da China em Hong Kong, o magnata da mídia Jimmy Lai foi condenado a 20 anos de prisão nesta segunda-feira, 9. Fundador do jornal Apple Daily, ele foi apontado como culpado de conluio com forças estrangeiras e publicação de material sedicioso. A sentença atraiu a condenação da comunidade internacional, com diferentes governos pedindo sua libertação.
Lai, 78, foi preso pela primeira vez em agosto de 2020 por meio da controversa Lei de Segurança Nacional de Hong Kong. Sua condenação a duas décadas de cárcere é a punição mais severa desde o advento da legislação inspirada em regras chinesas, sete anos atrás. De acordo com os juízes, isso se deve ao fato de o empresário ter sido a força motriz por trás de conspirações “persistentes” com estrangeiros.
Segundo o judiciário chinês, a suposta conspiração ambicionava promover sanções, bloqueios e atos hostis dos Estados Unidos e de outros países contra Pequim. Esse esquema seria empreendido por uma rede de indivíduos que incluía ativistas, estrangeiros e funcionários do Apple Daily.
Condenação internacional
O magnata se declarou inocente de todas as acusações e afirmou que é alvo de perseguição pelo governo chinês, sendo um “prisioneiro político”. Além de Lai, outras oito pessoas foram condenadas no mesmo julgamento. Todas se declararam culpadas e receberam penas entre seis e dez anos de prisão.
“No presente caso, Lai foi, sem dúvida, o mentor de todas as três conspirações imputadas e, portanto, merece uma pena mais severa”, afirmaram os juízes, justificando a pena de 20 anos atribuída ao empresário.
A prisão rapidamente atraiu condenação internacional, com Reino Unido, Austrália, Japão e União Europeia expressando preocupações com a sentença. O chefe de direitos humanos das Nações Unidas, Volker Turk, pediu a libertação de Lai, enquanto a ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, afirmou que Londres se envolveria no caso.





