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Itália investiga ‘safári humano’ para matar civis em Sarajevo durante Guerra da Bósnia

Turistas ricos supostamente desembolsavam até US$ 116 mil para matar civis durante um dos cercos mais brutais da história

Por Flávio Monteiro
12 nov 2025, 13h46 •
  • A Procuradoria-Geral de Milão, na Itália, abriu uma investigação para apurar a denúncia de que turistas italianos teriam pagado para matar civis durante o cerco de Sarajevo, um dos capítulos mais marcantes da Guerra da Bósnia, na década de 1990. O “safári humano” foi denunciado em um documento de 17 páginas formulado pelo jornalista Ezio Gavazzeni.

    De acordo com a peça, italianos ricos pagavam valores entre US$ 92 mil e US$ 116 mil para passar um final de semana atirando em civis, um tipo de viagem de caça macabra que incluía a possibilidade de disparar contra crianças — por um valor ainda mais caro. Os envolvidos seriam aficionados por armas e teriam relações próximas a círculos de extrema-direita.

    “Estamos falando de pessoas ricas, com reputação. Empresários que, durante o cerco de Sarajevo, pagaram para matar civis desarmados”, disse Gavazzeni. “Eles saíram para uma caçada humana e depois retornaram às suas vidas respeitáveis”. 

    + Como um caso de sequestro e morte mudou a política italiana nos anos 1970

    O material reunido pelo jornalista aponta que os turistas saíam da cidade italiana de Trieste em direção a Sarajevo, embarcando em um avião da companhia aérea sérvia Aviongenex, que operava na região naquele período. A denúncia tem o apoio do ex-magistrado Guido Salvini, figura respeitada dentro da Itália, e da ex-prefeita de Sarajevo Benjamina Karic, que já tinha empreendido uma investigação prévia sobre o tema.

    Em entrevista ao jornal La Repubblica, Gavazzeni afirma que levou o caso à Itália devido à dificuldade na investigação em outros países envolvidos. Para ele, o judiciário da Sérvia vê o assunto como uma “lenda urbana” e, embora o Ministério Público da Bósnia tenha aberto um inquérito sobre o tema, a investigação em território bósnio é delicada devido às feridas não cicatrizadas da guerra.

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    Responsável pelas investigações, o promotor Alessandro Gobbis tem uma lista extensa de testemunhas que serão convocadas a depor sobre o caso, incluindo um agente da inteligência bósnia, que diz ter tido conhecimento a respeito dos safaris e alega que a inteligência italiana recebeu informações sobre o caso ainda em 1993.

    “Ele me disse que a inteligência bósnia alertou para a presença de pelo menos cinco italianos nas colinas ao redor de Sarajevo, acompanhados para atirar em civis”, disse Gavezzani. O jornalista aponta que o número de envolvidos pode chegar a 100, e espera que “consigam localizar pelo menos um ou dois, talvez cem”.

    Uma vez localizados, os suspeitos poderão ser indiciados por homicídio doloso agravado por motivo torpe e crueldade, já que disparavam contra civis expostos a um dos episódios mais brutais da Guerra da Bósnia. Na época, milícias sérvio-bósnias se posicionaram ao redor de Sarajevo, com atiradores atingindo civis indiscriminadamente.

    Estima-se que mais de 5 mil civis tenham sido mortos durante o cerco, que durou de 1992 a 1996.

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