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Israel vai às urnas com Netanyahu na mira da Justiça

Futuro político do primeiro-ministro pode estar ameaçado; país realiza terceira eleição em menos de um ano

Por Julia Braun - 2 mar 2020, 07h00

Os israelenses vão novamente às urnas nesta segunda-feira, 2, pela terceira vez em menos de um ano. Mais do que nunca, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aposta todas as suas fichas no pleito para garantir sua sobrevivência política e na liderança do país, depois que as duas últimas votações acabaram de forma inconclusiva e seu partido, Likud, não foi bem-sucedido em formar um governo de coalizão com as demais legendas.

No caminho do premiê está Benny Gantz, líder do partido de centro-direita Azul e Branco. O general reformado se recusou durante meses a negociar a formação de um governo de união com Bibi, como Netanyahu é conhecido, alegando que não se alinharia com um político investigado por corrupção.

O primeiro-ministro foi indiciado em três casos judiciais – por suborno, fraude e quebra de confiança. Em dois deles,  é acusado de ter trocado favores por coberturas positivas na imprensa local. No terceiro por receber presentes no valor de 700.000 shekels (cerca de 853.000 reais) de um produtor de Hollywood. O julgamento de Bibi está marcado para 17 de março, pouco mais de duas semanas após as eleições.

A lei israelense estabelece que qualquer ministro sujeito a um processo criminal deve renunciar ao cargo, mas isso não se aplica ao primeiro-ministro. Se conseguir formar um governo e se consagre premiê, Netanyahu estará a salvo por mais alguns anos. Caso contrário, seu futuro político estará seriamente ameaçado. 

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Imunidade

Embora possa permanecer na posição de premiê, Benjamin Netanyahu não goza de imunidade judicial. Netanyahu solicitou ao Parlamento, no início de janeiro, que lhe desse esse benefício depois das  eleições legislativas de 2 de março, apostando em sua vitória para obter a maioria e, assim, se proteger da Justiça.

Mas os partidos da oposição convenceram a maioria dos deputados a examinar seu pedido de imunidade antes das eleições. Diante da rejeição antecipada a seu pedido, Netanyahu retirou no final de janeiro sua solicitação.

Pesquisas

As últimas pesquisas de opinião mostram o Likud ligeiramente à frente do Azul e Branco, com vantagem de apenas um assento no Parlamento, o Knesset, mas sem apoio suficiente para alcançar a maioria. Em terceiro lugar nas pesquisas está a Lista Conjunta, a coligação de quatro partidos majoritariamente árabes, que jamais formariam uma coalizão com Netanyahu.

O Knesset israelense é formado por 120 lugares, e a maioria de 61 deputados é necessária para formar o governo. Por enquanto, a expectativa é que nenhum partido ou grupo político consiga ultrapassar essa margem. O mais provável é que Israel tenha mais uma eleição com resultado inconclusivo.

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Se as previsões se confirmarem, Netanyahu deve ser obrigado a continuar suas negociações para tentar formar um governo de união com o Azul e Branco. Nesse tipo de organização, o líder dos dois maiores partidos normalmente se revezam no cargo de premiê.

Benny Gantz, porém, já afirmou que não pretende ceder e permitir que Bibi seja primeiro-ministro a seu lado. Seu partido, contudo, também tem poucas opções de aliança na atual conjuntura. As expectativas de uma quarta eleição já se fortalecem antes mesmo da conclusão da votação desta segunda-feira.

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