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Israel cometeu crime de guerra ao bombardear prisão no Irã em 2025, diz relatório da ONU

Segundo a chefe da investigação, 80 pessoas, incluindo uma criança e oito mulheres, foram mortas no ataque durante a chamada 'guerra dos doze dias'

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 mar 2026, 13h52 •
  • O bombardeio israelense contra a prisão de Evin, considerada um dos símbolos mais poderosos do regime iraniano, em junho de 2025 constitui um crime de guerra, afirmou nesta segunda-feira, 16, a chefe da investigação das Nações Unidas sobre o ataque.

    “Encontramos motivos razoáveis para acreditar que, ao realizar os ataques aéreos na prisão de Evin, Israel cometeu o crime de guerra de direcionar intencionalmente ataques contra um objeto civil”, disse Sara Hossain, presidente da Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos sobre o Irã, estabelecida pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em 2022.

    O último relatório da chefe da investigação da ONU, baseado em entrevistas com vítimas e testemunhas, imagens de satélite e outros documentos, foi apresentado ao Conselho de Direitos Humanos nesta segunda-feira. Segundo Hossain, 80 pessoas, incluindo uma criança e oito mulheres, foram mortas no ataque, que atingiu com precisão o portão principal e áreas estratégicas da prisão de Evin na chamada “guerra dos doze dias”.

    Hossain alertou ainda que a repressão do regime dos aiatolás deve aumentar em meio à guerra entre a coalizão Estados Unidos-Israel contra o Irã, que entrou em seu 17º dia nesta segunda.

    “A principal lição aprendida com nossas investigações neste contexto é clara: a ação militar externa não fornece responsabilidade ou traz mudanças significativas. Em vez disso, corre o risco de intensificar a repressão doméstica”, disse ela.

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    O bombardeio à prisão ocorreu em meio a um conflito de doze dias entre Israel e Irã, que deixou um saldo de pelo menos 638 mortos, quase 8 mil feridos, mais de 2 mil ataques e centenas de prisões. A guerra aérea, iniciada pelas forças israelenses ao alegarem que o programa nuclear iraniano representava uma “ameaça existencial” ao Estado judaico, terminou com um cessar-fogo frágil mediado pelos Estados Unidos, que realizaram fortes ataques contra três instalações nucleares da Republica Islâmica no 12º dia de hostilidades.

    Prisão de Evin

    Fundada em 1972, a prisão de Evin é há muito tempo o principal local de detenção de presos políticos e de segurança no Irã. Inicialmente construída sob o regime do xá Mohammad Reza Pahlavi, a instalação foi reaproveitada após a Revolução Islâmica de 1979 como centro de detenção da inteligência iraniana.

    A prisão milhares de detentos, incluindo jornalistas, ativistas, acadêmicos, manifestantes e estrangeiros acusados de espionagem ou “inimizade contra Deus”.

    O local tornou-se um centro de repressão política e tortura sistemática. Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch (HRW), denunciam há anos as práticas violentas adotadas em Evin, que incluem choques elétricos, espancamentos, isolamento extremo (conhecido como “tortura branca”) e abusos sexuais.

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