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Israel acusa Mamdani de antissemitismo um dia após tomar posse como prefeito de Nova York

Declaração ocorre após Mamdani revogar uma ordem que adotava a definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 jan 2026, 14h50 • Atualizado em 2 jan 2026, 15h10
  • O Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou nesta sexta-feira, 2, o recém-empossado prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, de atirar “gasolina antissemita em um incêndio aberto”. A declaração ocorre após Mamdani revogar uma ordem que adotava a definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, que incluía “demonizar Israel e submetê-lo a padrões duplos como formas de antissemitismo contemporâneo”. A medida havia sido implementada pelo ex-prefeito Eric Adams, um democrata.

    “Logo no seu primeiro dia como prefeito de Nova York, Mamdani mostra sua verdadeira face: ele descarta a definição de antissemitismo da IHRA e suspende as restrições ao boicote a Israel. Isso não é liderança. É gasolina antissemita em uma fogueira”, disse o MRE israelense em publicação no X, antigo Twitter.

    Em contrapartida, o gabinete de Mamdani afirmou que a decisão garantia “um novo começo para a próxima administração”. Não foi a única política de Adams revogada pelo novo prefeito. Uma das que foram abolidas por Mamdani proibia que funcionários da prefeitura do sistema de previdência municipal tomassem decisões alinhadas ao Movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), uma campanha que prevê o boicote econômico, acadêmico e político de Israel pela opressão e colonização de territórios palestinos.

    Outra ordem de Adams instruía a comissária de polícia de Nova York, Jessica Tisch, a avaliar propostas para regulamentar protestos que ocorram perto de locais de culto, anunciada depois de manifestações em frente a uma sinagoga no Upper East Side. Mamdani, o primeiro muçulmano a estar à frente de NY, teceu duras críticas a Israel durante campanha eleitoral pelo “assassinato criminoso de civis” em Gaza.

    No discurso de posse na quinta-feira 1°, Mamdani buscou tranquilizar a comunidade judaica de Nova York, a maior fora de Israel, e brincou: “Onde mais um garoto muçulmano como eu poderia crescer comendo bagels com salmão defumado?”. Mais tarde, como parte das suas primeiras ordens na prefeitura, ele afirmou que manteria aberto o escritório recém-criado para combater o antissemitismo, reiterando: “Essa é uma questão que levamos muito a sério”.

    “Sei que há quem veja esta administração com desconfiança ou desprezo, ou que considere a política irremediavelmente falida”, disse Mamdani na posse. “E embora só a ação possa mudar mentalidades, prometo-lhes o seguinte: se você é nova-iorquino, eu sou o seu prefeito. Independentemente de concordarmos ou não, eu o protegerei, celebrarei com você, lamentarei com você e jamais, nem por um segundo, me esconderei de você.”

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    + Zohran Mamdani toma posse como prefeito de Nova York

    Quem é Zohran Mamdani

    Mamdani, de 34 anos, era relativamente desconhecido até anunciar sua candidatura à prefeitura de uma das metrópoles mais importantes do mundo. Ele foi eleito para a Assembleia do Estado de Nova York há apenas quatro anos, representando um distrito no Queens. Combinando jovialidade com uma notável habilidade de gestão nas redes sociais, principalmente o TikTok, ele conquistou rapidamente o público nova-iorquino, surpreendendo pelo sucesso mesmo com pouca experiência de governo e dando novo fôlego a um combalido Partido Democrata.

     

    Com um discurso afiado, socialista conquistou seu eleitorado apresentando soluções para problemas tradicionais de Nova York, consideradas radicais por muitos, com destaque para a questão da moradia. Mamdani apresentou um plano habitacional que visa congelar o aluguel dos imóveis da cidade por quatro anos, na tentativa de mitigar o alto custo de vida na metrópole, uma das queixas mais recorrentes de moradores. Ele também chamou atenção por falar abertamente, quanto muçulmano, sobre islamofobia ao longo da campanha.

    O novo prefeito também prometeu criar uma rede de supermercados municipais com preços mais baixos em cada um dos cinco distritos de Nova York, gratuidade nos ônibus municipais, creches universais acessíveis e salário mínimo mais alto (um salto de US$ 16,50 para US$ 30 por hora até 2030). Críticos taxam as ideias de Mamdani como utópicas, apontando que elas ignoram complexidades logísticas e poderiam gerar crises e endividamento extremo do governo.

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    Para financiar seus planos, Mamdani olha para o andar de cima: ele quer aumentar o imposto de renda para os cidadãos mais ricos e elevar para 11,5% a alíquota para corporações, além de adicionar uma taxa fixa de 2% para os nova-iorquinos que ganham mais de US$ 1 milhão por ano. Segundo sua campanha, isso garantiria uma arrecadação US$ 9 bilhões em novas receitas anualmente.

     

     

     

     

     

     

     

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