Iranianos que EUA tinham em mente para liderar país estão mortos, diz Trump
Declaração segue ataque ao prédio da Assembleia de Especialistas, órgão responsável pela eleição do novo líder supremo iraniano
O presidente dos Estados Unuidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 3, que os iranianos que Washington tinha em mente para liderar o país no pós-guerra “estão mortos”.
Segundo o americano, o pior cenário para o Irã seria se alguém assumisse o poder e não promovesse mudanças.
“Isso poderia acontecer. Não queremos que isso aconteça”, disse. “Gostaríamos de ver alguém lá, que devolva o poder ao povo, e veremos o que acontece”.
Dos candidatos que o governo considerou para a liderança, alguns já morreram, disse Trump, acrescentando que “em breve, não conheceremos mais ninguém”.
“Parece-me que alguém de dentro talvez fosse mais apropriado”, sugeriu. “Se houver essa pessoa, mas temos pessoas assim. Temos pessoas… mais moderadas”.
A declaração segue ataque dos EUA e de Israel ao prédio da Assembleia de Especialistas, órgão responsável pela eleição do novo líder supremo do Irã, em Qom, ao sul de Teerã.
Agências de notícias do Irã relataram que o prédio foi “arrasado” por um bombardeio. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o prédio parcialmente destruído. A imprensa estatal afirma que todos os presentes no local foram retirados antes da explosão.
O último líder do país, o aiatolá Ali Khamenei, morreu em ataques americanos e israelenses contra Teerã no último sábado. Khamenei governou como líder supremo por 37 anos, sendo alçado ao posto em 1989, após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, grande líder da revolução islâmica.
O presidente Masoud Pezeshkian definiu a morte de Khamenei como “um grande crime” e decretou um período de luto de 40 dias, além de sete dias de feriados públicos. Informações da agência de notícias estatal IRNA apontam que, enquanto um novo líder supremo não é eleito, um conselho tripartite formado pelo presidente, pelo chefe do judiciário e por um dos juristas do Conselho dos Guardiões, que assumirá temporariamente as funções de liderança no Irã. Além do aiatolá, mais de 40 oficiais de alta patente, segundo o presidente americano, Donald Trump, foram mortos no ataque de sábado.
“Os criminosos americano-sionistas atacaram o prédio da Assembleia de Especialistas em Qom”, publicou a agência de notícias iraniana Tasnim. Também nesta terça, Israel disse ter bombardeado a presidência e a sede do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. O ataque ocorreu durante a noite e ainda não há registro de vítimas.
Os ataques desta terça-feira representam uma escalada do conflito no Oriente Médio, desencadeado no último final de semana por ataques dos Estados Unidos e Israel contra território iraniano. Em resposta, Teerã lançou centenas de mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo, danificando bases americanas, aeroportos e infraestruturas essenciais ligadas ao setor petrolífero, representando um sério desafio para o sistema de defesa aérea do Oriente Médio.
O Crescente Vermelho, que faz parte do Movimento Internacional da Cruz Vermelha, divulgou na terça-feira um balanço apontando que 787 pessoas morreram no Irã desde o início do conflito no sábado, e que mais mil bombardeios foram lançados contra 153 cidades iranianas. Em paralelo, Israel registrou pelo menos 10 mortos, enquanto os ataques retaliatórios iranianos mataram cinco pessoas em países do Golfo. Além disso, os Estados Unidos perderam quatro soldados na operação de sábado.
Em entrevista à emissora conservadora Fox News nesta terça, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que a guerra contra o Irã poderia levar “algum tempo”, mas ecoou autoridades americanas ao martelar que não se trata de “uma guerra sem fim”. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que emitiu uma série de declarações contraditórias sobre a duração do conflito, também disse na segunda-feira que ela poderia durar “muito mais tempo” do que o planejado (um mês).





