Irã diz que porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica foi morto em ataque EUA-Israel
Ali Mohammad Naini, do poderoso exército ideológico do regime, representa mais uma na sequência de baixas entre o alto escalão militar iraniano
O porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica, exército ideológico do Irã, Ali Mohammad Naini, foi morto em ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel, informou a TV estatal iraniana nesta sexta-feira, 20. Esta representa mais uma em uma sequência de baixas entre o alto escalão militar iraniano.
A Guarda Revolucionária Islâmica também confirmou a morte de Naini, que também era vice-diretor de relações públicas da força militar paralela ao Exército.
Naini “foi martirizado no ataque terrorista covarde e criminoso do lado americano-sionista ao amanhecer”, anunciou a guarda em seu site oficial, Sepah News. Ele atuava como porta-voz desde 2024.
Até a publicação desta reportagem, Israel e Estados Unidos não confirmaram o ocorrido.
Caso a informação seja verdadeira, a morte de Naini amplia o número de importantes figuras do regime assassinadas desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. Os primeiros bombardeios israelenses e americanos mataram o líder supremo, Ali Khamenei, bem como boa parte de sua família e dezenas de comandantes – como o chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, o chefe do Estado-Maior das forças armadas, Abdolrahim Mousavi, e o então ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh – que faziam uma reunião no mesmo complexo onde ficava seu escritório.
Mais recentemente, na segunda-feira, um ataque israelense ceifou a vida do poderoso chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã, Ali Larijani, e do general Gholamreza Soleimani comandante do basij, força paramilitar com 1 milhão de membros encarregada de impor a ideologia do regime e reprimir dissidentes. Em seguida, na terça, o ministro da Inteligência, Esmael Khatib, pereceu sob bombardeios de Israel.
Analistas avaliam que os alvos atingidos pelos Estados Unidos e Israel, que incluem ainda os serviços de inteligência, as sedes do Judiciário e do Parlamento, e instalações da Guarda Revolucionária Islâmica, demonstram características de uma operação abrangente para decapitar o sistema. No entanto, a retaliação iraniana contra bases militares americanas e complexos petrolíferos de países do Golfo, aliados de Washington, não parece ter sido afetada pelos buracos na cadeia de comando — e o regime, com um novo líder supremo (Mojtaba Khamenei, filho de seu antecessor), continua de pé.





