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Investigação sobre Rússia não implica Trump

Governo Trump comemora conclusão da investigação de Robert Mueller, mas o relatório afirma que falta de provas não é o mesmo que exoneração

O conselheiro especial Robert Mueller concluiu que o presidente Donald Trump não cometeu crime, conspirando com agentes do governo russo para influenciar a eleição presidencial de 2016 mas também não o exonerou. O secretário de Justiça William Barr acaba de enviar ao Congresso uma carta com a lista de principais conclusões da investigação e concluída na sexta-feira, 22, com a entrega de um relatório cujos detalhes vão ser vasculhados para futura divulgação. A carta afirma também que não é possível caracterizar obstrução de justiça nas ações do presidente, “muitas das quais se passaram à vista do público.” A carta cita palavras do próprio Mueller: “enquanto este relatório não conclui que o presidente cometeu um crime, ele também não o exonera.”

A divulgação preliminar do resultado da investigação de Mueller põe fim a um drama que se arrastou por quase dois anos e é uma vitória política para Donald Trump. Mueller, ex-diretor do FBI, foi nomeado em maio de 2017 para investigar acusações de coordenação da campanha presidencial de Donald Trump com hackers e espiões do governo de Vladimir Putin.

O relatório de Mueller devia incluir, pela definição do cargo de conselheiro especial, dois tipos de explicações. A decisão de processar indivíduos e também a decisão de não processar os que não foram indiciados. Seis assessores da campanha ou do governo Trump foram indiciados, entre eles Michael Flynn, ex- assessor de Segurança Nacional, o ex diretor da campanha, Paul Manafort, e o ex-advogado e fixer Michael Cohen.

A reação inicial do Partido Democrata foi resumida pelo líder do Comitê de Justiça da Câmara, deputado Jerrold Nadler. Ao ler a carta, Nadler afirmou, no Twitter, que Mueller não exonerou o presidente, mas simplesmente não encontrou provas suficientes de crime obstrução de justiça “além de dúvida razoável.” Analistas jurídicos que leram trechos da carta ao vivo nas redes de cabo americanas fizeram uma distinção entre a ausência de conspiração criminosa com os russos e o segundo objetivo, que era investigar obstrução de justiça na investigação inicial do FBI que levou ao indiciamento de vários cidadãos russos e membros do governo Putin.

A alegada falta de exoneração sobre obstrução de justiça será certamente explorada pelos democratas, na luta para obter uma versão completa de tudo o que Mueller apurou. O drama agora se desloca para a Câmara, onde o debate sobre um possível processo de impeachment, que seria iniciado pelo Comitê de Justiça, vai ser marcado por considerações eleitorais. A presidente da Câmara, democrata Nancy Pelosi, tem dito que a prioridade é recuperar a Casa Branca em 2020, não paralisar o partido com uma luta que não tem chance de ser vencida no Senado, o corpo legislativo que pode julgar o impeachment e é controlado pelos republicanos.

O presidente Trump está retornando esta noite de seu clube privado em Mar-a-Lago, na Flórida, para a capital.