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Imigrante legal relata agressão da polícia diante dos filhos e pede US$ 1 milhão na Justiça

Caso expõe impacto de diretrizes mais duras contra imigrantes, retomadas após a volta de Trump ao poder

Por Ernesto Neves 15 dez 2025, 17h40 • Atualizado em 15 dez 2025, 17h41
  • Uma imigrante com residência legal permanente nos Estados Unidos e seus dois filhos, cidadãos americanos, entraram com uma ação judicial contra o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês), acusando agentes federais de agressão violenta e detenção ilegal durante uma abordagem em Massachusetts.

    Hilda Ramirez Sanan, portadora de green card e moradora dos EUA há mais de 20 anos, afirma que foi detida de forma arbitrária ao acompanhar o cunhado a uma audiência judicial em Chelsea, nos arredores de Boston, em 26 de setembro. Segundo a ação, ao chegar ao fórum, o carro em que a família estava foi cercado e bloqueado por quatro veículos descaracterizados do ICE.

    De acordo com os advogados, os agentes não se identificaram, não apresentaram mandado nem deram qualquer ordem prévia. Em poucos segundos, quebraram os vidros dianteiro e traseiro do lado do motorista com um objeto cortante, lançando estilhaços sobre Ramirez Sanan e o cunhado.

    A petição descreve que a imigrante foi então retirada do carro de forma violenta, com os braços torcidos para trás para a algemação, chutes e o corpo arremessado contra o chão, de bruços, tudo diante dos filhos em pânico. Um dos agentes teria puxado à força o filho mais novo, de 13 anos, que está no espectro autista, após soltar o cinto de segurança.

    Ainda segundo o processo, o menino foi interrogado sobre seu status migratório, idade e com quem morava, apesar de ser cidadão americano. Um agente teria ameaçado prendê-lo caso não respondesse às perguntas ou apresentasse documentos, ignorando sua idade, condição neurológica e estado emocional.

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    A tentativa de levar Ramirez Sanan em um dos veículos do ICE só teria sido interrompida após policiais locais exigirem a verificação de sua identificação. Mãe e filhos foram encaminhados de ambulância a um hospital. Ela sofreu concussão, hematomas e uma lesão no nervo radial, associada à forma como teve o braço torcido durante a abordagem.

    “Minha família está destruída e nunca mais será a mesma”, afirmou Ramirez Sanan. “Não sei como explicar aos meus filhos por que o ICE nos tratou dessa maneira. Ainda sinto dor diariamente. Como mãe, o mais difícil é ver o medo e o trauma que eles carregam.”

    A ação, movida pela organização Lawyers for Civil Rights, pede indenização de US$ 1 milhão. O ICE não respondeu aos pedidos de comentário.

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    O caso ocorre em um contexto de endurecimento da política migratória desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca.

    O novo governo retomou diretrizes que ampliam o escopo das operações do ICE, reduzem a distinção entre imigrantes com e sem status legal e incentivam ações ostensivas, inclusive em locais sensíveis como tribunais.

    Organizações de direitos civis têm alertado para o aumento de abordagens agressivas, erros de identificação e detenções de cidadãos americanos ou residentes legais, especialmente em estados governados por democratas.

    A ação judicial busca responsabilizar o ICE em um momento em que o debate sobre imigração volta a ocupar o centro da agenda política americana, marcado por confrontos entre o governo federal, autoridades locais e organizações que defendem os direitos de imigrantes.

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