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Helicópteros de elite dos EUA voam a menos de 150 km da Venezuela, diz jornal

Movimentação ocorre em meio à escalada militar americana e após Trump admitir ter autorizado operações secretas da CIA no país vizinho

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 out 2025, 17h02 •
  • Helicópteros de operações especiais dos Estados Unidos foram flagrados, nos últimos dias, sobrevoando águas do Caribe a cerca de 145 quilômetros da costa venezuelana. Segundo uma análise visual do Washington Post, as aeronaves MH-6 Little Bird e MH-60 Black Hawk — modelos usados para inserir tropas e realizar missões de apoio aéreo — foram vistas próximas a plataformas de petróleo e gás ao longo de Trinidad e Tobago. Especialistas apontam que pertencem ao 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais, unidade responsável por ações de alto risco, como o ataque que matou Osama bin Laden, em 2011.

    A movimentação aérea ocorre em meio à ampliação das ações militares dos Estados Unidos na região. O presidente Donald Trump confirmou nesta quinta-feira, 15, que autorizou a CIA a conduzir operações secretas na Venezuela, após reportagem do New York Times. Em seguida, o republicano admitiu que o governo estuda ataques terrestres contra cartéis de drogas venezuelanos, como parte de uma campanha de pressão contra o presidente Nicolás Maduro.

    Ao todo, forças americanas já realizaram cinco ataques contra barcos venezuelanos que supostamente transportavam drogas, deixando 27 mortos. No episódio mais recente, na terça-feira, o governo dos EUA afirmou ter destruído uma embarcação “associada a redes narcoterroristas ilícitas” que transitava “por uma rota conhecida de DTO” — sigla em inglês para organização de tráfico de drogas.

    Washington mira Maduro

    A Casa Branca acusa Nicolás Maduro de liderar o Cartel de los Soles e oferece US$ 50 milhões por informações que levem à captura do líder chavista. Segundo o governo americano, Maduro violou leis de narcóticos, tomou o poder de forma não democrática e mantém alianças com grupos criminosos, como o Tren de Aragua e o Cartel de Sinaloa.

    Em declaração recente, a secretária de Justiça dos EUA, Pam Bondi, afirmou que foram apreendidos US$ 700 milhões em ativos ligados ao presidente venezuelano. Em resposta, Maduro mobilizou 4,5 milhões de milicianos em todo o país, classificando a medida como uma estratégia de defesa nacional. O governo venezuelano denunciou as ações dos EUA como uma “violação gravíssima do Direito Internacional” e acusou Washington de buscar uma mudança de regime para controlar os recursos petrolíferos da nação.

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    A presença militar americana na região se expandiu rapidamente. Navios como o USS Lake Erin, capaz de disparar 122 mísseis, e o submarino USS Newport News, de propulsão nuclear, reforçam o dispositivo no Caribe. Três contratorpedeiros do Grupo Anfíbio de Prontidão também retornaram à área após terem sido desviados aos Estados Unidos por causa do furacão Erin.

    Tentativa de negociação

    Segundo reportagem do New York Times publicada nesta semana, Maduro tentou usar as riquezas naturais da Venezuela como moeda de troca para aliviar a pressão econômica e política. Sob sanções e diante da retórica cada vez mais agressiva de Washington, o líder chavista teria oferecido amplas concessões a empresas de energia e mineração dos EUA em troca de uma trégua.

    A proposta incluía abrir projetos de petróleo e ouro — atuais e futuros — a companhias americanas, conceder contratos preferenciais e redirecionar exportações de petróleo da China para os Estados Unidos, rompendo acordos com empresas chinesas, iranianas e russas. Em troca, Maduro esperava uma reaproximação política e o alívio das sanções que paralisam a economia venezuelana. O governo Trump rejeitou as negociações.

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