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Harvard e governo Trump avançam em acordo histórico que encerrará disputas, diz jornal

Faculdade da Ivy League terá de gastar US$ 500 milhões (mais de R$ 2,7 bilhões) em troca da restauração do financiamento federal, segundo NYT

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 ago 2025, 10h55 •
  • A Universidade Harvard e o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caminham para fechar um acordo histórico que implicaria na prestigiada instituição de ensino superior gastar US$ 500 milhões (mais de R$ 2,7 bilhões) em troca da restauração de bilhões de dólares em financiamento federal para pesquisa. A informação foi divulgada nesta terça-feira, 12, pelo jornal americano The New York Times, com base em quatro pessoas familiarizadas com as negociações.

    A proposta em deliberação obrigaria Harvard a investir US$ 500 milhões, ao longo de anos, em pesquisas e programas vocacionais e educacionais, de forma a atender à exigência de Trump de que a faculdade gaste expressivamente mais a Universidade Columbia, que firmou um acordo no mês passado. Mas a negociação estabelece um ganho importante para Harvard: não terá que pagar o valor ao governo Trump, como Columbia tem feito.

    Harvard teria, ainda, de se comprometer a combater o antissemitismo no campus. Em troca, o financiamento de pesquisa seria restaurado e não seria obrigada a nomear um monitor, uma condição estabelecida pela universidade como defesa à liberdade acadêmica. Ao mesmo tempo, o governo Trump também enterraria investigações contra a instituição, como as conduzidas pelo Departamento de Justiça e pelo Departamento de Comércio, além de interromper os esforços para que Harvard não possa matricular estudantes estrangeiros.

    A administração Trump e Harvard engataram numa feroz queda de braço desde abril, quando a faculdade da Ivy League anunciou que não acataria a uma lista de exigências da Casa Branca por ferir a liberdade acadêmica. O governo americano, então, dobrou a aposta e congelou um repasse de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) a Harvard, ameaçando um corte total e definitivo do financiamento federal.

    E não parou por aí. Em maio, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, revogou a certificação do Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio (SEVP), o que significaria que a universidade “não pode mais matricular estudantes estrangeiros e os estudantes estrangeiros existentes devem se transferir ou perderão seu status legal”, informou o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês) em comunicado. Mais tarde, uma juíza federal suspendeu temporariamente a decisão de Noem.

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    + Columbia concorda em pagar mais de R$ 1,2 bi em acordo com governo Trump

    Processos contra Trump

    Harvard é a única universidade americana a entrar com ações judiciais contra Trump. No caso dos investimentos federais, os advogados da instituição acusam o governo dos EUA de restringir a liberdade de expressão e de infringir o direito da universidade “de decidir o que ensinar, de expressar certas opiniões e de peticionar aos tribunais para se defender”. Por outro lado, a equipe jurídica do Departamento de Justiça dos Estados Unidos alega que o investimento deve seguir “condições explícitas” que exigem apoio a políticas governamentais.

    Em paralelo, Harvard processa a Casa Branca por revogar uma certificação que permite que a instituição matricule estudantes internacionais. A movimentação judicial ocorreu um dia após o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) anunciar que estava “responsabilizando Harvard por fomentar a violência, o antissemitismo e a coordenação com o Partido Comunista Chinês em seu campus”.

    Outras universidades, como Columbia e Brown, assinaram acordos com a administração Trump. Columbia concordou em pagar mais de US$ 220 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhões) ao governo para driblar a ameaça de cortes massivos de financiamento federal. Segundo o acordo, Columbia pagará US$ 200 milhões ao governo federal ao longo de três anos e US$ 21 milhões imediatamente, para encerrar meia dúzia de investigações abertas por supostas violações de direitos civis movidas pela Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego dos EUA.

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    Além disso, o pacto codifica uma série de demandas do governo Trump, com as quais Columbia já havia concordado em março, incluindo a revisão dos seus processos disciplinares estudantis, a adoção de uma nova definição de antissemitismo e medidas para reduzir “agitação” no campus (na terça-feira, a universidade anunciou que havia disciplinado mais de setenta alunos por participarem de um protesto em maio contra a guerra em Gaza).

    Tanto Columbia quanto Brown também se comprometeram a seguir as leis que proíbem a consideração da raça de candidatos no processo de admissão de alunos e contratação de funcionários. Brown terá que garantir que vestiários e banheiros femininos serão reservados apenas para atletas cis, divulgar grupos judaicos — uma espécie de resposta ao antissemitismo nos protestos no campus contra a guerra em Gaza — e contratar um grupo externo para realizar pesquisas de clima na universidade. Em contrapartida, conseguiu incluir uma cláusula que reiterava a liberdade acadêmica, proibindo Trump de ditar o currículo e o discurso acadêmico. 

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