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María Corina não receberá Nobel da Paz pessoalmente, mas ainda viaja a Oslo

Líder opositora da Venezuela vive há mais de um ano na clandestinidade

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 dez 2025, 08h45 • Atualizado em 10 dez 2025, 08h57
  • Kristian Berg Harpviken, diretor do Instituto Nobel da Noruega, afirmou que a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, não vai comparecer à cerimônia em que receberia o prêmio da paz nesta quarta-feira, 10. No entanto, organizadores esclareceram que ela estará em Oslo depois de “uma viagem em situação de extremo perigo”.

    Machado, 58 anos, vive há mais de um ano na clandestinidade, desde que o ditador Nicolás Maduro foi declarado reeleito no pleito do ano passado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), instituição tomada pelo chavismo. Seu paradeiro atual é desconhecido. Os resultados foram questionados mundialmente, em meio a acusações de fraude. A opositora, proibida de deixar a Venezuela há dez anos, teve a candidatura barrada por uma manobra do Judiciário e nomeou o diplomata Edmundo González Urrutia como seu sucessor (ele, por sua vez, hoje vive exilado em Madri).

    Ela deveria receber o Nobel da Paz na capital norueguesa às 13h locais (9h em Brasília), em evento que contaria com a presença da família real norueguesa, bem como de líderes latino-americanos, incluindo o presidente argentino, Javier Milei, e o chefe de Estado do Equador, Daniel Noboa.

    “Infelizmente, ela não está na Noruega e não estará no palco da Câmara Municipal de Oslo às 13h, quando a cerimônia começar”, disse Harpviken à emissora pública norueguesa NRK. Ele acrescentou que a filha da opositora, Ana Corina Sosa, receberia o prêmio em seu nome.

    Em comunicado, o Comitê Nobel Norueguês afirmou, porém, que sua ida à capital do país está confirmada e que ela está “segura”.

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    “A laureada com o Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, fez tudo o que estava ao seu alcance para estar presente na cerimônia de hoje. Uma viagem em situação de extremo perigo. Embora não tenha conseguido chegar à cerimônia e aos eventos de hoje, estamos profundamente felizes por confirmar que está em segurança e que estará conosco em Oslo”, disse a nota.

    Machado foi vista em público pela última vez em 9 de janeiro, quando foi detida brevemente após ter aparecido com apoiadores em um protesto na capital venezuelana, Caracas, um dia antes de Maduro tomar posse para o seu terceiro mandato consecutivo de seis anos. A coletiva de imprensa onde ela deveria estar presente na terça-feira também foi cancelada após atrasar várias horas.

    O Instituto Nobel divulgou a gravação de uma recente conversa por telefone com Machado, em que agradece novamente pelo prêmio e diz que vai contar “em pessoa” o périplo para viajar à Noruega.

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    “Pessoalmente, contarei o que tivemos de enfrentar e quantas pessoas arriscaram as suas vidas para que eu pudesse chegar a Oslo, e esto muito grata a todos. Isto demonstra o que este reconhecimento significa para o povo venezuelano”, disse ela. “Estamos muito emocionados e honrados, por isso lamento muito informar que não poderei chegar a tempo à cerimônia, mas já estou em Oslo e a caminho de lá.”

    Ela acrescentou: “Assim que chegar, poderei abraçar toda a minha família e os meus filhos, que não vejo há três anos, e tantos venezuelanos e noruegueses que sei que partilham a nossa luta.”

    Reconhecimento da luta pela democracia

    O Comitê Nobel Norueguês laureou Machado em outubro por “manter acesa a chama da democracia no meio de uma crescente escuridão” e pelo “seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela”. Na época, a venezuelana disse que a homenagem era uma “conquista de toda uma sociedade”.

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    A decisão do comitê, porém, tornou-se alvo de críticas devido ao apoio de Machado à pressão militar do governo Donald Trump no Caribe, bem como sua defesa do uso da força para derrubar a ditadura. “Não se pode ter paz sem liberdade, e não se pode ter liberdade sem força”, disse ela à rádio NPR um dia depois de receber o prêmio, em 10 de outubro.

    Ela também tem sido inabalável no respaldo aos bombardeios americanos contra embarcações no Mar do Caribe que o Pentágono diz estarem ligadas ao narcotráfico e já mataram ao menos 87 pessoas (muitos juristas enxergam as ações como execuções extrajudiciais que violam o direito internacional). A Casa Branca justifica suas ações na região como uma tentativa de conter o tráfico de substâncias ilícitas que matam mais de 80 mil americanos por ano com overdoses, mas a ditadura afirma que isso é cortina de fumaça para provocar uma mudança de regime. O presidente dos Estados Unidos disse na terça-feira 9 que os “dias de Maduro estão contados”, deixando em aberto a possibilidade de enviar soldados para invadir a nação sul-americana.

    Após ser laureada em outubro, Machado dedicou o prêmio a Trump — que fez campanha aberta para ser ele próprio o Nobel da Paz deste ano.

    O Conselho Norueguês da Paz, um grupo de 17 organizações que promove a resolução de conflitos e é independente do comitê do Nobel, afirmou em outubro que a opositora venezuelana “não se alinha com valores fundamentais” e cancelou sua tradicional homenagem anual à nova laureada.

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