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Groenlândia vive crise política com renúncia de ministra em meio a tensão diplomática com EUA

Vivian Motzfeldt renunciou da pasta das Relações Exteriores após seu partido, o social-democrata Siumut, romper com coalizão governista

Por Flávio Monteiro 13 mar 2026, 15h53 •
  • A ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, renunciou ao cargo nesta sexta-feira, 13, em meio a uma crise entre o seu partido e o governo em Nuuk. Ela optou por abdicar da posição após seu partido, o social-democrata Siumut, deixar a coalizão liderada pelo primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen.

    “Como meu partido deixa a coalizão, também devo renunciar ao meu cargo”, disse ela à agência de notícias AFP. “Nessa situação, discordo de meu próprio partido”, completou.

    Na posição de chefe da diplomacia groenlandesa, Motzfeldt era responsável por conduzir, em conjunto com seu homólogo na Dinamarca, as negociações com Washington para definir o destino da ilha ártica. Uma vez fora do cargo, ela disse esperar que as tensões nacionais não sejam exploradas pelos Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, já declarou reiteradamente ter ambições de anexar o território.

    + Dinamarca, Groenlândia e EUA abrem negociações em meio às ameaças de Trump

    Em declaração à mídia local, Nielsen afirmou que irá assumir temporariamente as funções de ministro das Relações Exteriores até que outro nome seja indicado. O premiê buscou promover uma ampla coalizão governista após seu partido de centro-direita, Democratas, obter o maior número de votos nas eleições de março de 2025, visando compor uma frente unida para lidar com os interesses americanos.

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    No entanto, uma crise envolvendo as eleições para o Parlamento da Dinamarca, no qual a Groenlândia tem duas cadeiras, levou ao rompimento do Siumut com o governo. Para o partido social-democrata, duas ministras que se candidataram ao pleito de 24 de março deveriam ter se afastado durante a campanha. Embora o rompimento não ameace a governabilidade de Nielsen, cuja coalizão segue com 19 das 31 cadeiras no Inatsisartut, o parlamento da ilha ártica, ele gera discordância em um momento crucial para Nuuk.

    “Quero ser sincero e dizer que estou decepcionado”, disse Nielsen em uma publicação no Facebook. “As declarações e os sinais dos Estados Unidos demonstram claramente que nos encontramos no centro de uma situação geopolítica grave. Justamente por isso era importante para mim reunir uma coalizão mais ampla possível”, completou.

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