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Greta Thunberg, a face da indignação na crise do meio ambiente

Em pouco tempo, a 'pirralha', na provocação infeliz do presidente Jair Bolsonaro, conseguiu arregimentar 4 milhões de pessoas ao redor do globo

Por Jennifer Ann Thomas Atualizado em 27 dez 2019, 14h51 - Publicado em 27 dez 2019, 06h00

Oscilações de humor são praticamente um sinônimo de adolescência — mas, quase sempre, param nas paredes de casa ou nos muros da escola, sob o olhar repreensivo dos adultos. Em 2019, no entanto, foi a vez de uma jovem fazer cara feia. Não para os seus pais ou professores, e sim para os maiores líderes do planeta. Ainda em 2018, a sueca Greta Thunberg, que completa 17 anos em 3 de janeiro, já começara a chamar atenção ao encabeçar greves escolares todas as sextas-feiras contra o descaso com o aquecimento global. Muito cedo a garota se dera conta do seguinte: de que adiantaria continuar levando, no presente, uma vida dita “normal” — de estudos, passeios, namoricos etc. — enquanto as perspectivas de um futuro sustentável na Terra fossem se apagando com a elevação da temperatura?

Em pouco tempo, o movimento da “pirralha”, na provocação infeliz do presidente Jair Bolsonaro, conseguiu arregimentar 4 milhões de pessoas ao redor do globo — e Greta se tornou, em 2019, a face mais visível da indignação diante da crise do meio ambiente. Não por acaso, ela foi eleita pela revista americana Time a Pessoa do Ano. “Realizaremos greves até que o mundo implemente o Acordo de Paris”, disse a jovem numa entrevista a VEJA publicada em julho. Ao participar, em setembro, do Encontro de Cúpula de Ação Climática, da ONU, em Nova York, Greta fez seu discurso chegar a políticos como a alemã Angela Merkel, o francês Emmanuel Macron e o americano Donald Trump. A premiê alemã reconheceu suas iniciativas e o presidente Macron reuniu-se com ela. No caso do atual ocupante da Casa Branca, a sueca ficou a poucos metros dele — e lançou em sua direção o olhar fulminante que se vê na foto ao lado. A tensão se estenderia nas redes sociais. No Twitter, Trump, que nega as mudanças climáticas, escreveu que a ativista era uma “menina muito feliz, ansiosa por um futuro maravilhoso”. A ironia foi acompanhada do vídeo com o discurso acalorado de Greta nas Nações Unidas, às vésperas da Assembleia-Geral. O Acordo de Paris deverá entrar em vigor em 2020 — ou continuará enfrentando a adolescente e seus seguidores.

Publicado em VEJA de 1º de janeiro de 2020, edição nº 2667

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