Governo Trump já revogou mais de 100 mil vistos, diz Departamento de Estado
Endurecimento da política migratória elevou em mais de 150% o número de cancelamentos em relação a 2024, segundo a pasta
O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou nesta segunda-feira, 12, que mais de 100 mil vistos foram revogados desde que o presidente Donald Trump retornou à Casa Branca, no ano passado. Segundo a pasta, o número representa um recorde e corresponde a um aumento superior a 150% em relação a 2024, refletindo o endurecimento da política migratória adotada pelo governo.
A ofensiva anti-imigração envolve a ampliação de deportações, inclusive de pessoas com vistos ainda válidos, e a adoção de critérios mais rígidos para concessão e manutenção do documento. Segundo o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Tommy Pigott, os principais motivos para os cancelamentos incluem permanência além do prazo permitido, dirigir sob efeito de álcool, agressão e furto.
De acordo com o comunicado, entre os documentos suspensos há cerca de 8 mil vistos de estudantes e 2,5 mil vistos especiais de estrangeiros com registros de envolvimento em atividades criminais e que foram alvo de apurações policiais.
Como parte da nova estratégia, o governo criou um Centro de Monitoramento Contínuo, responsável por revisar permanentemente o histórico de estrangeiros em território americano e acelerar a revogação de vistos de quem é considerado um risco à segurança pública. Além do controle interno, novas diretrizes foram enviadas a diplomatas no exterior para reforçar o escrutínio sobre solicitantes avaliados como potencialmente hostis aos Estados Unidos, especialmente pessoas com histórico de ativismo político.
O anúncio do número de deportações se dá em meio ao acirramento de políticas imigratórias e, como consequência, casos de violência. Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos têm se envolvido em um número crescente de tiroteios nos últimos meses, revelou um levantamento divulgado nesta sexta-feira, 9. Dados compilados pela organização jornalística The Trace, especializada em violência armada, indicam que agentes do ICE estiveram envolvidos em ao menos 16 episódios com disparos desde o início da nova fase da ofensiva migratória.
Na semana passada, o DHS anunciou uma operação “extraordinária” na região de Minneapolis, com cerca de 2.000 agentes. A iniciativa integra a estratégia nacional de repressão migratória, que começou em Los Angeles, em junho, e depois se expandiu para Washington, Chicago, Memphis, Portland, Charlotte, além de Nova Orleans.
Em paralelo, o número de detidos disparou. Em menos de um ano, a população nos centros do ICE aumentou quase 50%, chegando a cerca de 69 mil pessoas. No mesmo período, mais de 352 mil imigrantes foram presos e deportados. A superlotação tornou-se regra, com unidades operando acima da capacidade contratada.
Segundo dados da ONG American Immigration Council, o primeiro ano do segundo mandato de Trump já é mais letal do que 2020, quando as mortes nos centros de detenção explodiram devido à pandemia de Covid-19. A entidade atribui o atual aumento de óbitos a uma combinação de superlotação, más condições dos centros, negligência médica, crise de saúde mental e violência armada.
Em 2025, 32 pessoas morreram sob custódia do ICE — o maior número em mais de duas décadas, igualando o recorde anterior de 2004. Nesse contexto, os 16 tiroteios envolvendo agentes de imigração reforçam o quadro de escalada de violência associado às operações federais.





