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Governo Trump investiga Nike por ‘discriminação contra pessoas brancas’

Medida faz parte de cerco do presidente dos EUA a programas que promovem diversidade e inclusão; empresa critica 'escalada surpreendente e incomum'

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 fev 2026, 09h05 • Atualizado em 5 fev 2026, 09h40
  • O governo Donald Trump solicitou, na quarta-feira, 4, a um tribunal americano que obrigue a Nike a cumprir uma intimação judicial em meio a acusações de que as práticas trabalhistas da empresa “discriminam pessoas brancas”.

    A Comissão de Igualdade de Oportunidades Trabalhistas dos Estados Unidos (EEOC, na sigla em inglês) afirmou, em um documento apresentado a um tribunal do estado de Missouri, que a Nike “não forneceu todas as informações solicitadas”.

    O processo cita acusações feitas em 2025 pela comissária da EEOC, Andrea Lucas.

    De acordo com as alegações, a Nike pode ter violado a lei “ao adotar um padrão ou prática de tratamento discriminatório contra funcionários, candidatos e participantes de programas de capacitação brancos” e ao estabelecer a meta de que 30% dos cargos de liderança da Nike sejam ocupados por minorias raciais e étnicas.

    Trump nomeou Andrea Lucas para a presidência da EEOC em novembro, repetindo sua escolha para o cargo durante seu primeiro mandato, em 2020. Ela é uma crítica ferrenha de programas que promovem a diversidade, a equidade e a inclusão.

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    A Nike classificou a ação da EEOC como uma “escalada surpreendente e incomum” e afirmou ter mantido uma cooperação “ampla e de boa-fé” na investigação.

    “Estamos comprometidos com práticas trabalhistas justas e legais e cumprimos todas as leis aplicáveis, incluindo aquelas que proíbem a discriminação”, afirmou a Nike em comunicado à agência de notícias AFP, acrescentando que responderia à solicitação.

    A Nike já se posicionou sobre questões sociais e políticas em diversas ocasiões, lançando, por exemplo, grandes campanhas publicitárias com o ex-jogador da NFL Colin Kaepernick, conhecido por protestar contra a discriminação racial na conduta de policiais. Uma campanha de 2018 com o atleta de futebol americano recebeu elogios entusiasmados de ativistas do movimento Black Lives Matter, mas foi criticada por Trump e outras figuras conservadoras.

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    Cerco ao “DEI”

    Desde que voltou à Casa Branca, Trump promoveu um desmonte dos programas de “Diversidade, Equidade e Inclusão”, conhecidos como DEI. Com base em uma decisão da Suprema Corte de 2024, que proibiu sistemas de cotas nas universidades por considerá-los discriminatórios, ele baixou uma série de decretos presidenciais para acabar com essas iniciativas no país e até fora dele.

    Órgãos públicos não podem contratar empresas que o adotem, instituições de ensino são pressionadas a abandoná-lo e, no exterior, as embaixadas advertem as indústrias locais que aderem ao DEI de que terão dificuldades em fazer negócio nos Estados Unidos.

    O resultado foi uma autocensura generalizada. No setor corporativo, Meta, Amazon e Walmart, por exemplo, mudaram suas políticas de RH ao primeiro sinal de desaprovação do presidente.

    Além disso, as políticas de diversidade, ao lado de acusações de antissemitismo, são os principais instrumentos do governo para encostar na parede as universidades de elite, exigindo que se alinhem aos princípios trumpistas. Harvard, um dos maiores centros de conhecimento do mundo, teve suspensa toda a verba federal, de mais de US$ 1 bilhão, e tenta na Justiça um acordo com a Casa Branca.

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