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Golpistas montam delegacia falsa da Polícia Federal brasileira em cassino no Camboja

Centro de fraudes na fronteira com a Tailândia tinha cenários de escritórios de polícia de vários países e listas de alvos de golpes em todo o mundo

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 mar 2026, 17h16 •
  • Um complexo de cassinos na fronteira entre Camboja e Tailândia escondia uma central de golpes online que incluía até uma delegacia falsa da Polícia Federal brasileira, revelaram autoridades tailandesas no início de fevereiro.

    A instalação fica na cidade de O’Smach, no norte do Camboja, área que foi tomada pelo Exército da Tailândia após confrontos entre os dois países no fim do ano passado. Durante uma visita organizada para a imprensa nesta quinta-feira, 12, repórteres encontraram escritórios abandonados com uniformes policiais falsos, roteiros de golpes, listas de potenciais vítimas e computadores destruídos.

    Entre os ambientes montados pelos criminosos estava uma sala que imitava uma delegacia da Polícia Federal do Brasil, usada para dar credibilidade a fraudes aplicadas contra vítimas estrangeiras.

    De acordo com militares tailandeses, os golpistas criavam cenários que simulavam delegacias ou instituições oficiais de diversos países — incluindo Brasil, Austrália, Canadá e Índia — para convencer vítimas, durante chamadas de vídeo ou telefonemas, de que estavam lidando com autoridades legítimas.

    A descoberta reforça o papel do Sudeste Asiático como um dos principais centros globais de fraudes online e golpes financeiros.

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    Indústria global de golpes

    Autoridades afirmam que o complexo fazia parte de uma vasta rede de fraudes que opera na região. O’Smach já havia sido apontada anteriormente como base de operações desse tipo, inclusive por autoridades dos Estados Unidos, que mencionaram casos de tráfico de pessoas e trabalho forçado ligados a centros de golpes.

    Segundo o Exército da Tailândia, milhares de pessoas viviam ou trabalhavam no local. Muitas seriam vítimas de tráfico humano, forçadas a aplicar golpes sob ameaça de punição.

    Durante a visita ao prédio, jornalistas encontraram documentos com listas detalhadas de possíveis alvos, seus contatos e roteiros de conversas usados nas fraudes, além de dormitórios com beliches e equipamentos de informática abandonados.

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    De acordo com autoridades militares, cerca de 20 mil pessoas podem ter passado pelo complexo antes da chegada das tropas.

    Em reunião com jornalistas e representantes estrangeiros, o diretor de inteligência do Exército tailandês, Teeranan Nandhakwang, afirmou que o objetivo de abrir o local para a imprensa era mostrar a dimensão das atividades ilegais.

    O ministro da Informação do Camboja, Neth Pheaktra, acusou a Tailândia de tentar estabelecer sua “anexação de fato” do território cambojano “sob o pretexto de operações contra golpes online”.

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    “Essas ações representam um uso perigoso de narrativas de aplicação da lei para incursões militares institucionais”, afirmou em comunicado à AFP.

    Conflito entre Tailândia e Camboja

    A descoberta ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Tailândia e Camboja. O governo tailandês afirma que a região era usada tanto como base militar cambojana quanto como centro de crimes transnacionais.

    Os dois países travaram confrontos mortais ao longo da fronteira disputada por cerca de três semanas em dezembro — o episódio mais recente de um conflito territorial de longa data.

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    Na ocasião, a Tailândia afirmou que suas forças atacaram vários cassinos do lado cambojano da fronteira, alegando que os locais eram utilizados como depósitos de armas e posições de tiro por forças do Camboja. Observadores independentes identificaram ao menos dois desses complexos como fachadas que também operavam centros de golpes online.

    Mesmo após um cessar-fogo frágil, tropas tailandesas continuam posicionadas em áreas da região, enquanto Phnom Penh acusa Bangcoc de usar o combate aos golpes virtuais como justificativa para manter presença militar em território cambojano.

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