Gênero e religião: a polêmica que fez diretor da Torre Eiffel perder o cargo
Patrick Branco Ruivo, que dirige o emblemático monumento parisiense desde 2018, deixará o posto no fim do ano
A empresa responsável pela Torre Eiffel informou, nesta terça-feira, 29, que seu diretor deixará o cargo no fim do ano, após a polêmica provocada pela decisão de impedir que funcionárias mulheres trabalhassem durante a visita de um grupo religioso hindu.
Patrick Branco Ruivo, que dirige o emblemático monumento parisiense desde 2018, deixará o posto no fim do ano, informou a Sociedade de Exploração da Torre Eiffel (Sete).
Entenda o caso
A visita do movimento espiritual hindu Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha (BAPS) ocorreu em 5 de setembro, durante a inauguração de um templo hindu perto de Paris.
A delegação de turistas, composta por cerca de 100 pessoas, que posteriormente pediu desculpas “a qualquer pessoa que possa ter se sentido ofendida ou incomodada por esta situação”, mas relativizou as críticas. “Em nenhum momento foi negado o acesso à Torre Eiffel a alguém”, escreveu o movimento no X (ex-Twitter)
A empresa responsável pela gestão da torre reconheceu que a delegação havia solicitado que a visita limitasse as “interações com as mulheres” e admitiu que não deveria ter aceitado o pedido.
“Enquanto a delegação passava, as mulheres foram solicitadas a deixar seus postos de trabalho para que os homens pudessem ocupar seus lugares”, disse Diane Davoine, representante sindical, à agência de notícias Reuters.
Denúncias
O episódio gerou revolta entre os funcionários, que realizaram uma reunião e decidiram entrar em greve, segundo representantes sindicais. Depois do incidente, placas na base da torre exibiam a seguinte mensagem: “A abertura da Torre Eiffel está atrasada por motivos operacionais”.
“As tensões aumentaram no fim de semana, então, nesta manhã, os funcionários decidiram se reunir: primeiro, para iniciar um diálogo com a administração e, segundo, para garantir que as mulheres nunca mais sejam tratadas dessa forma na empresa”, disse Davoine após o ocorrido.
O caso ocorreu após o movimento hindu inaugurar no domingo, 6, seu primeiro grande templo na França, localizado em Bussy-Saint-Georges, a 30 km a leste de Paris.
Investigação
O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, afirmou que uma investigação sobre o caso seria iniciada “o mais rápido possível”, acrescentando que a insatisfação dos funcionários com o episódio era legítima. “É urgente que se esclareçam todos os fatos que levaram a esse protesto”, escreveu ele nas redes sociais.
A presidente da Assembleia Nacional da França, Yaël Braun-Pivet, também condenou a exclusão das funcionárias, afirmando que a recepção de visitantes estrangeiros não poderia levar a França a renunciar ao princípio da igualdade de gênero.
A cidade de Paris é proprietária da Torre Eiffel e acionista majoritária da empresa que administra o monumento.
Mais de seis milhões de pessoas visitaram esse símbolo turístico de Paris em 2025. A Torre Eiffel reabrirá ao público nesta terça-feira.







