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Israel: Gantz lidera em reta final da apuração, mas cenário é de impasse

Blocos do premiê Benjamin Netanyahu e da oposição não parecem capazes de formar coalizões com maioria viável para governar

Com 90,4% dos votos apurados em Israel, o partido centrista Azul e Branco, do oposicionista Benny Gantz, aparece na frente do Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, com apenas uma cadeira de vantagem no Parlamento. Apesar da aparente vitória, os israelenses se dirigem para um novo período de instabilidade, já que nenhum dos dois blocos se mostra capaz de formar uma coalizão com maioria viável para governar.

Os resultados oficiais do Comitê Eleitoral Central divulgados pela imprensa local projetam que o Azul e Branco conseguirá 32 assentos no Knesset, o Parlamento israelense. O Likud aparece em segundo lugar, com 31 cadeiras.

A terceira força política seria a Lista Unida, que agrupa os partidos árabes e obtém agora 13 lugares.

Ao todo, o bloco formado pelo Likud e seus aliados ultraortodoxos e de extrema direita têm 56 cadeiras no Knesset. Para formar um governo são necessários 61 assentos.

Já um possível bloco de centro-esquerda, formado pelo Azul e Branco, o Partido Trabalhista, a União Democrática e a Lista Unida teria 55 lugares. Uma união entre Gantz e as legendas árabes, contudo, ainda não é garantida.

O poder de entregar o Executivo a um ou outro bloco reside no líder da extrema direita secular Avigdor Lieberman.

O ex-ministro da Defesa e fundador da legenda Israel Nosso Lar se recusou a participar do governo de Netanyahu após as primeiras eleições em abril depois que o Likud prometeu apoiar um projeto de lei que regulamenta a isenção dos estudantes judeus ultraortodoxos de servirem nas Forças Armadas.

Sem o apoio de Lieberman, Bibi não conseguiu os 61 assentos do Knesset necessários para formar uma coalizão com maioria viável. Diante da possibilidade de Gantz ganhar o direito de liderar as negociações para tentar formar um governo, Netanyahu preferiu convocar um novo pleito.

Menos de seis meses depois, os israelenses voltaram as urnas, mas o cenário permanece praticamente idêntico ao da última eleição. Lieberman ainda se nega a entrar em acordo com os ultraortodoxos e com Netanyahu.

As posições radicais do ex-ministro da Defesa em relação ao conflito Israel-Palestina também inviabilizam uma união entre o Israel Nosso Lar e um bloco de centro-esquerda que contenha a Lista Unida dos partidos árabes.

Sem o apoio de Lieberman, muitos analistas acreditam que restaria ao Likud buscar uma aliança com o Azul e Branco de Gantz para evitar uma terceira eleição em menos de um ano. Tal união daria origem ao chamado “governo de unidade nacional”, no qual duas legendas rivais se associam quando não há nenhuma outra possibilidade de coalizão.

Gantz já sinalizou que poderia aceitar negociações neste sentido, mas deixou claro que não fará parte de uma administração comandada por Benjamin Netanyahu devido ao seu histórico de casos de corrupção.

Comentários

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  1. Paulo Bandarra

    Para quem acha que parlamentarismo soluciona…

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