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Gabinete de May discute possibilidade de Brexit sem acordo

Ministros já se antecipam para chegar a 29 de março preparados, caso não consigam aprovar pacto com a UE no Parlamento

Por Da Redação 18 dez 2018, 09h41

Membros do gabinete da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, já discutem a possibilidade de deixarem a União Europeia (UE) em março sem um acordo formal com o bloco.

A premiê chegou a um acordo com os líderes da UE no final de novembro, mas encontra grande resistência no Parlamento e dentro de seu próprio partido para aprová-lo. O texto de 585 páginas deveria ter sido votado na Câmara dos Comuns em 11 de dezembro, mas May decidiu adiar a votação para a semana de 14 de janeiro.

Diante da possibilidade de que não seja aprovado, os ministros já se antecipam para chegar a 29 de março, a data máxima para o Brexit, sem um acordo com a UE.

  • Segundo a imprensa britânica, o gabinete tem discutido quanto dinheiro será necessário para fazer a transição sem um pacto formal. Os ministros pretendem alocar 2 bilhões de libras (9,87 bilhões de reais) para um fundo de contenção para ministérios como do Interior, Meio Ambiente, Alimentação e Agricultura.

    Alguns membros do gabinete acreditam que é necessário um comando central para organizar a saída da UE sem acordo. Anteriormente, os departamentos tinham liberdade para decidir como distribuiriam seu orçamento.

    Nova moção de censura

    Diante de tanta instabilidade, o chefe da oposição no Parlamento britânico, Jeremy Corbyn, apresentou nesta segunda-feira 17 uma moção de censura contra Theresa May, após sua recusa em convocar uma votação dos deputados sobre o Brexit antes de janeiro.

    “É inaceitável que esperemos quase um mês antes de votarmos sobre a questão crucial do futuro de nosso país”, disse o líder da oposição.

    Durante o debate parlamentar do dia, o líder trabalhista avaliou que Theresa May “falhou” em sua tentativa de “renegociar” e que não poderia haver “mais atrasos” na ratificação do acordo de retirada assinado por Londres e Bruxelas, após 17 meses de negociações difíceis.

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    É o governo que decide permitir ou não a organização de um debate e uma votação sobre uma moção como essa. Se for adotada, refletiria mais uma vez a posição instável da primeira-ministra.

    Na semana passada, May sobreviveu a outra moção de censura proposta pela sua própria legenda, o Partido Conservador. A premiê obteve 200 votos em seu favor e 117 contra.

    Novo referendo

    Neste contexto, cada vez mais vozes apelam a um segundo referendo que permita à população votar, conhecendo agora as condições e consequências da saída da UE.

    Mas a premiê disse segunda-feira perante os deputados que a realização de uma segunda consulta causaria um “dano irreparável” à legitimidade política.

    “Não vamos quebrar a fé do povo britânico ao tentar organizar outro referendo sobre o Brexit”, declarou May aos parlamentares.

    De acordo com a imprensa britânica, vários membros do governo, entre eles o número 2 da Downing Street, David Lidington, estão se movendo nos bastidores para organizar outro referendo.

    Já o ex-primeiro-ministro trabalhista Tony Blair (1997-2007) afirmou na sexta-feira que, se os deputados “não conseguem chegar a um acordo, a lógica é voltar a dar a voz ao povo”.

    (Com AFP)

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