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Filho da futura rainha da Noruega responde a acusações de abusos sexuais — e isso é só o começo

A teia de escândalos sacode o país

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 fev 2026, 08h00 •
  • Encravada na próspera Escandinávia, a Noruega é normalmente lembrada pelas temperaturas glaciais, os imbatíveis índices de qualidade de vida e a fartura de arenques. De lá ninguém espera um sacolejo como o que vem fazendo a festa dos tabloides nos últimos tempos — e não tem nada a ver com os plebeus que lá vivem, não. Quem está encabeçando escândalos em série é a realeza, que costuma reinar sem as grandes pompas de outras cortes, como a dos Windsors, na Inglaterra, nem tantos holofotes. Pois tudo mudou depois que o filho da futura rainha, a princesa Mette-Marit, enredou-se em 38 acusações, incluindo agressões e estupros contra quatro ex-namoradas. Isso mesmo: o jovem Marius Borg Høiby, de 29 anos, ingressou com tudo nas páginas policiais. No último dia 4, sua aparição em um tribunal de Oslo causou furor. De calça jeans e camisa desbotada, ele reconheceu a vida de excessos embalada por drogas, álcool e sexo. Naturalmente, negou as acusações mais graves, admitindo, porém, certas agressões e um transporte de 4 quilos de maconha.

    Enquanto os desdobramentos legais ainda estão por vir, o apoio à monarquia ali estabelecida há mais de 1 000 anos despencou de 81% para os atuais 55%. A maioria ainda aprova, mas o desgaste é tal que já se especula se a futura rainha, que adentrou o palácio com biografia menos envernizada do que a média, terá estofo para se sentar no trono. Quando se casou com o príncipe herdeiro Haakon, em 2001, Mette-­Marit chamava a atenção por não estar mais com o pai de Marius (preso por tráfico de drogas) e, já na condição de royal, fazer questão de manter uma rotina de baladas e cultivar velhos hábitos da época de plebeia. Acabou sendo bem digerida por trazer frescor ao palácio. Levava consigo o filho, então com 4 anos, que, embora acolhido, nunca recebeu nenhum título nem funções reais. A calmaria na terra dos fiordes, porém, virou. “Qualquer coisa que afeta a família real atinge a realeza como instituição, e essa é certamente a maior crise que a monarquia norueguesa já enfrentou”, avalia o historiador Ole-Jørgen Schulsrud-Hansen.

    Em meio às elevadíssimas temperaturas na corte real (em contraste com os termômetros abaixo de zero, como usual no país), o padrasto esclareceu, em rara declaração pública: “Marius não é integrante da Casa Real da Noruega e, portanto, é autônomo”. O futuro rei, Haakon Magnus, ainda fez circular uma nota de apoio às vítimas do enteado. O rapaz, por sua vez, não vem contribuindo em nada para semear qualquer simpatia, mesmo alegando que tudo o que fez teria raízes em uma “necessidade de reconhecimento extremamente elevada”. Nos últimos dias, repercutiu pelas redes sociais uma foto dele com um pacote de cerveja em uma das mãos, enquanto usava a outra para mostrar o dedo do meio. Não demorou para os críticos logo sublinharem que o garoto-enxaqueca “não sente remorsos”.

    VIDA QUE SEGUE - Haakon e Mette-Marit: o trono será deles
    VIDA QUE SEGUE - Haakon e Mette-Marit: o trono será deles (Patrick van Katwijk/Getty Images)

    Como se não bastasse, também a princesa Mette-Marit, como outros de seus colegas abrigados em palácios Europa afora (a exemplo do ex-príncipe britânico Andrew), ficou em situação altamente desconfortável ao ver seu nome brotar entre os milhões de documentos carregados de detalhes do caso Jef­frey Epstein, o financista americano condenado por praticar durante anos abusos sexuais contra meninas. Nos papéis revelados, a futura rainha deixa entrever uma intimidade entre os dois, chamando-o de “querido” e alguém “de bom coração”, e ainda faz piada em relação à insaciável busca dele por mulheres jovens. “Parte do conteúdo das mensagens entre Epstein e eu não representa a pessoa que quero ser”, ela registrou em nota, na qual diz querer se explicar melhor, mas que não pode neste momento por estar em “situação muito delicada” — a princesa sofre de fibrose pulmonar e provavelmente precisará de um transplante.

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    Tudo isso se desenrola justamente quando o príncipe herdeiro vem desempenhando com cada vez mais frequência as funções do pai, o rei Harald V, que aos 88 anos acumula problemas de saúde. Monarca mais longevo de todo o continente, ele teve ainda que engolir o casamento de sua única filha com a rainha Sonja, a princesa Märtha Louise, com um autoproclamado xamã americano que é alvo de uma vasta lista de acusações — entre elas, abuso doméstico, invasão de propriedade, incêndio criminoso e até uso de magia negra. Vestuário sugerido para o casório celebrado em 2024: “sexy e cool”. E há quem diga que a Noruega é uma das nações mais tranquilas do planeta.

    Publicado em VEJA de 13 de fevereiro de 2026, edição nº 2982

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