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Fernandéz e Cristina sofrem dura derrota em primárias para o Legislativo

18 dos 24 distritos do país, inclusive Buenos Aires, foram vencidos pela oposição; governo esperava dificuldades, mas contava com vitória apertada

Por Da Redação Atualizado em 13 set 2021, 15h45 - Publicado em 13 set 2021, 15h42

O presidente da Argentina Alberto Fernandéz, e sua vice, Cristina Kirchner, sofreram dura golpe nas eleições primárias para o legislativo.

Os candidatos do atual presidente perderam em 18 dos 24 distritos do país, segundo os resultados oficiais. Um revés tão grande não aparecia em nenhuma das pesquisas e surpreendeu até os mais otimistas da oposição. 

O principal impacto, no entanto, foi sentido em Buenos Aires, reduto do peronismo e responsável por 40% dos votos em nível nacional.

Com mais de 93% das urnas apuradas, a coalizão Juntos pela Mudança, a mesma que levou Mauricio Macri ao poder em 2015, conquistou 38,08% dos votos, contra 33,57% da Frente de Todos, coalizão governamental.

O resultado coloca o prefeito da capital, Horacio Rodríguez Larreta, um dos principais opositores de Alberto Fernández, na corrida pela presidência em 2023.

Fernández admitiu a vitória da oposição em um pronunciamento ao lado dos principais candidatos e de sua vice, Cristina Kirchner.

“Algo não foi feito de bom para que as pessoas não tenham nos acompanhado e todos que estamos aqui ouvimos o veredito. Há uma demanda que não prestamos atenção, e isso mudará a partir de hoje”, disse. 

As eleições deste domingo fizeram parte de um experimento eleitoral, com a escolha dos candidatos em eleições primárias, abertas, simultâneas e obrigatórias (conhecida pela sigla PASO).

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Os peronistas estavam cientes das dificuldades que o país enfrenta, porém o cenário se mostrou bem diferente do esperado. 

A crise econômica e os níveis altíssimos de inflação, além da gestão contraditória no combate à pandemia, são fatores fundamentais para a surpreendente derrota.

O governo esperava uma vitória apertada em Buenos Aires e o primeiro lugar na soma dos nacionais. O que se viu, no entanto, foi não apenas a derrota na capital, mas também no interior do país, sua principal fortaleza. 

Os números também são ruins no que diz respeito ao senado. Dos oito distritos em jogo, a Frente de Todos só venceria em duas.

Com isso, o governo perderia cinco senadores, ao mesmo tempo que a oposição ganharia três. Desse modo, Kirchner seria obrigada a negociar com partidos provinciais para impor os projetos que promove. 

Ainda que os resultados deste domingo não representem, de fato, uma derrota, o sinal de alerta foi ligado e mudanças devem acontecer nos próximos meses que antecedem a eleição definitiva.

Vários membros do atual governo poderão ser substituídos por outros para passar uma imagem de renovação. 

Além das duas grandes forças, a votação colocou em evidência nomes que até então eram desconhecidos.

O economista de extrema direita Javier Milei, defensor de Donald Trump e Jair Bolsonaro, foi a terceira força na capital, com 13,6% dos votos. 

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