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Feiras de Natal na Alemanha aumentam gastos com segurança devido a atentados

Episódios de terrorismo com atropelamentos propositais causam preocupação entre organizadores, autoridades e visitantes

Por Flávio Monteiro
25 nov 2025, 15h28 • Atualizado em 25 nov 2025, 16h18
  • As tradicionais feiras de Natal da Alemanha registraram um aumento nos custos de operação nas edições deste ano em decorrência de gastos mais elevados com segurança, necessários após uma série de ataques aos eventos no país. De acordo com uma pesquisa ampla realizada pela Associação Federal de Marketing de Cidades e Municípios e divulgada pela agência de notícias Reuters nesta terça-feira, 25, organizadores aumentaram seus orçamentos em 44% nos últimos três anos.

    De acordo com o chefe de produção do Gendarmenmarkt, um tradicional mercado natalino de Berlim, as exigências se tornaram cada vez mais rigorosas. Neste ano, a tradicional feira alemã estabeleceu um esquema de segurança que conta com pontos de controle nas entradas, guardas treinados, vigilância por vídeo e grandes barreiras de concreto. “As medidas dão aos visitantes a sensação de que podem dizer ‘OK, posso relaxar aqui, me sinto seguro'”, disse David Russ à Reuters.

    O investimento em segurança se tornou prioridade após um ataque terrorista a uma feira de natal em Madeburg chocar o país no ano passado. Na ocasião, um homem utilizou as saídas de emergência para entrar no mercado com um carro, atropelando mais de 200 pessoas em apenas três minutos. Neste ano, outros episódios envolvendo motoristas avançando contra multidões em eventos públicos aconteceram em cidades como Munique e Mannheim.

    O incremento nos gastos com segurança aumentaram a dificuldade para colocar os eventos de pé. Embora por vezes recebam um subsídio público para custear a realização das feiras, é comum que municípios menores e entidades privadas arquem com a maior parte, ou até a totalidade, dos investimentos. Isso fez com que muitos organizadores passassem a pedir que o governo federal assuma os custos, já que o aumento está conectado a ações antiterroristas do Estado.

    “Precisamos de regras nacionais e confiáveis, caso contrário em breve nos veremos sem ninguém disposto a assumir a responsabilidade cada vez maior pelos eventos e arcar com os custos financeiros”, desabafou o chefe da Associação Alemã de Cidades e Municípios, Gerold Leppa. Segundo a entidade, os organizadores serão forçados a repassar o preço mais elevado aos visitantes caso não recebam subsídios estatais.

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    O Gendarmenmarkt é um dos mercados que corroboram a declaração de Leppa. A tradicional feira, considerada uma das mais bonitas de Berlim, começou a cobrar uma taxa de entrada de 2 euros. “O valor é utilizado para o funcionamento do mercado e também, claro, para as questões de segurança”, explicou Russ.

    Em entrevista ao jornal alemão Bild, o chanceler do país, Friedrich Merz, disse que não cabe ao governo federal fornecer apoio as entidades para organização dos eventos, uma vez que a segurança das feiras é responsabilidade das polícias estaduais. “É preocupante que não possamos realizar feiras de Natal, nem mesmo em cidades menores, sem um amplo plano de segurança”, lamentou ele.

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