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‘Falhas sistêmicas’ levaram à morte de crianças no Texas, diz relatório

Segundo investigação sobre tiroteio em uma escola em Uvalde, a ação da polícia foi atrasada e poucos agentes participaram da contenção do atirador

Por Amanda Péchy
18 jul 2022, 11h38

Um relatório sobre o tiroteio na escola de Uvalde, no Texas, que matou 21 pessoas, encontrou “falhas sistêmicas e tomadas de decisão extremamente ruins” por parte dos policiais envolvidos na ação para conter o atirador.

Redigido por um comitê de legisladores estaduais, o relatório publicado no domingo 17 destacou a falta de liderança e urgência, descrevendo uma “abordagem negligente” por parte das autoridades no local. O texto foi entregue às famílias das vítimas antes de ser tornado público.

Quase 400 policiais foram enviados para a escola, mas a polícia esperou mais de uma hora para confrontar o agressor. O atirador de 18 anos atacou a Robb Elementary School em Uvalde em 24 de maio, matando 19 crianças e dois professores.

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O comitê da Câmara dos Deputados do Texas acredita que o relatório de quase 80 páginas é o mais completo até agora sobre o que aconteceu durante e após o ataque.

A investigação não encontrou nenhum “vilão”, além do atacante, no curso de sua investigação. No entanto, concluiu que houve várias falhas de responsabilidade de várias autoridades, incluindo oficiais da lei e a própria escola.

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“Ausência de liderança”

O relatório criticou a resposta das autoridades, acusando-as de não priorizar “salvar a vida de vítimas inocentes em detrimento de sua própria segurança”. Segundo o texto, o período de mais de uma hora que os 400 policiais esperaram antes de confrontar e matar o agressor foi um “período de tempo inaceitavelmente longo”.

“Não sabemos neste momento se os socorristas poderiam ter salvado mais vidas ao reduzir esse atraso”, acrescenta o relatório.

No início desta semana, imagens de câmeras de segurança de Uvalde vazadas foram publicadas por um jornal local, mostrando a chegada do atirador e a polícia esperando 77 minutos para confrontá-lo.

O relatório também destaca um “vazio de liderança”, aparente falta de alguém no comando que, segundo o texto, “pode ter contribuído para a perda de vidas”.

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Quem escreveu o plano de resposta do distrito a atiradores ativos foi chefe de polícia das escolas de Uvalde, Pete Arredondo, o que o coloca como líder da resposta policial a incidentes no tipo. Contudo, Arredondo testemunhou que não se considerava responsável no dia.

A opinião geral das testemunhas entrevistadas para o relatório é que Arredondo estava no comando. Outras não sabiam dizer quem estava no comando, descrevendo a situação como “caótica”. O policial foi colocado em licença administrativa no mês passado e, depois disso, renunciou ao cargo.

No entanto, o relatório aponta que havia socorristas de várias agências no local – muitas mais bem treinadas e melhor equipadas do que a polícia do distrito escolar – que poderiam ter ajudado a controlar a situação.

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Atacante entrou ‘desimpedido’

As críticas à escola giram em torno de sua falta de preparo para seguir os procedimentos de segurança para evitar  ataques como esse. O relatório disse que a Robb Elementary School tinha uma cultura de deixar as portas destrancadas ou abertas, às vezes para facilitar o acesso de professores substitutos que não tinham as chaves.

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A fechadura da sala 111 – onde ocorreu a maioria das mortes – nem sempre funcionava, segundo o relatório, mas embora a falha fosse amplamente conhecida, não foi devidamente abordada.

Por causa dessas falhas, o atacante conseguiu entrar no prédio da escola e nas salas de aula sem impedimentos, e provavelmente matou a maioria de suas vítimas antes que os socorristas chegassem ao prédio.

“Dos aproximadamente 142 tiros que o atacante disparou dentro do prédio, é quase certo que ele disparou rapidamente mais de 100 desses tiros antes que qualquer oficial entrasse”, diz o relatório.

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