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Fábrica chinesa de Labubus explora trabalhadores em meio a alta demanda, diz ONG

Relatório aponta trabalho infantil ilegal, jornadas exaustivas e contratos irregulares; Empresa chinesa que vende brinquedo fechou ano com receita de R$ 15 bi

Por Flávio Monteiro 13 jan 2026, 12h15 • Atualizado em 13 jan 2026, 12h55
  • A ONG de defesa dos direitos trabalhistas China Labor Watch (CLW) revelou ter encontrado evidências de que funcionários inseridos na cadeia de produção dos Labubus, os famosos brinquedos de pelúcia chineses que conquistaram o mundo em 2025, estão sendo explorados. As informações foram divulgadas pelo jornal britânico The Guardian nesta terça-feira, 13.

    Segundo a CLW, sediada nos Estados Unidos, uma das fabricantes do brinquedo vem estabelecendo práticas exploratórias, incluindo a contratação de jovens entre 16 e 18 anos sem a proteção especial exigida pela legislação chinesa, a falta de treinamento adequado em saúde e segurança e a assinatura de contratos de trabalho em branco.

    A responsável pelas infrações seria a Shunjia Toys, uma fornecedora da Pop Mart — empresa de brinquedos que fabrica Labubus —, no condado de Xinfeng, em Jiangxi. Investigadores da CLW passaram três meses na instalação, onde entrevistaram mais de 50 funcionários, incluindo três menores de 18 anos, todos voltados para a produção exclusiva do personagem.

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    Os investigadores descobriram que a fábrica empregava menores de idade em posições padrão dentro da linha de montagem, sem diferença na carga de trabalho ou metas de produção na comparação com os demais trabalhadores. Embora a legislação da China permita a contratação de funcionários entre 16 e 18 anos, eles devem contar com proteções especiais, sendo vetada sua participação em funções perigosas ou extenuantes.

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    Segundo o relatório da CLW, os jovens “não entendiam a natureza dos contratos que assinavam e não tinham uma noção clara de sua situação jurídica quando questionados”.

    A falta de clareza em relação aos contratos não é uma questão exclusiva dos funcionários menores de idade. De acordo com a CLW, era rotineiro que trabalhadores assinassem contratos de trabalho em branco. Nas peças, os empregados eram orientados a preencher somente seus dados pessoais, enquanto detalhes sobre as condições de trabalho permaneciam “sem explicação”.

    “Os trabalhadores tinham, no máximo, cinco minutos para concluir o processo, e eram instruídos explicitamente a não ler ou preencher outras questões”, afirmou a CLW, deixando claro que pontos como duração de contrato, funções, salário e informações sobre previdência social eram deixados em aberto.

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    Uma outra problemática exposta pelo relatório diz respeito às horas de trabalho. Embora a legislação da China determine um limite de 36 horas extras mensais, era frequente que os funcionários cumprissem mais de 100 horas extras a cada mês. O objetivo era atender a uma meta cada vez maior de Labubus produzidos, com equipes de 25 a 30 pessoas tendo que entregar pelo menos 4 mil unidades do brinquedo diariamente.

    A Shunjia Toys emprega mais de 4.500 pessoas e tem uma capacidade de produção oficial de 12 milhões de brinquedos por ano. No entanto, o inquérito sugere que o número real de Labubus manufaturados é muito maior do que o divulgado, e apenas duas equipes eram responsáveis por entregar mais de 24 milhões de brinquedos anualmente.

    “Essa diferença entre a capacidade planejada e a produção real não é incomum no setor manufatureiro da China”, disse o diretor executivo da CLW, Li Qiang. “Quando a demanda do mercado aumenta rapidamente, a produção geralmente se expande muito além dos níveis planejados, com a consequente pressão recaindo diretamente pelos trabalhadores”, afirmou.

    Com uma produção global estimada em 30 milhões de unidades por mês, os Labubus se tornaram um dos produtos de exportação mais populares da China. No primeiro semestre de 2025, a Pop Mart registrou 4,8 bilhões de yuans (aproximadamente R$ 3,7 bilhões) em vendas e, em agosto, a expectativa era de que a empresa fechasse o ano com 20 bilhões de yuans em receita (mais de R$ 15 bilhões).

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