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Extrema direita ganha força e derrota líder da esquerda radical na França

Por Francois Lo Presti - 10 jun 2012, 19h08

Um mês depois ter obtido um resultado histórico para a extrema direita nas eleições presidenciais francesas, sua líder, Marine Le Pen, confirma a consolidação da Frente Nacional no tabuleiro político do país, e alcança seu objetivo pessoal, eliminando o líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon.

A Frente Nacional (FN), que obteve este domingo, no primeiro turno das legislativas entre 13% e 14% dos votos, segundo estimativas, no entanto pode esperar obter apenas entre uma e três cadeiras de deputados, visto que as modalidades destas eleições, majoritárias e em dois turnos, favorecem os grandes partidos e as alianças entre formações.

“É um resultado muito bom”, “há uma verdadeira dinâmica” que pesará extremamente na constituição da Assembleia Nacional, afirmou o encarregado da campanha da FN, Florian Philippot.

O partido de Marine Le Pen pode manter seus candidatos no segundo turno, que será disputado em 17 de junho, em várias dezenas de circunscrições.

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Para Marine Le Pen, de 43 anos, é uma vitória. Havendo ou não deputados de seu partido eleitos no segundo turno (o que não acontece desde 1998), a FN obtém seu melhor resultado em três legislaturas.

“Confirmamos nossa posição de terceira força política da França”, “a recomposição que queremos está em andamento”, declarou Le Pen após divulgados os resultados.

“Peço a todos os eleitores que querem uma oposição autêntica aos socialistas que se mobilizem no próximo domingo”, disse Le Pen em sua circunscrição de Henin-Beaumont (norte), onde foi a mais votada e onde disputará com um socialista a vaga em jogo no segundo turno.

Nesta cidade do departamento (estado) de Pas de Calais, antiga região industrial que foi decaindo ao ritmo do fechamento de suas minas, Marine Le Pen encabeçou os resultados, com 42% dos votos, e ganhou a queda de braço com o dirigente da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, que admitiu a derrota e desistiu a favor do socialista Philippe Kemel.

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Longe das castigadas zonas industriais do norte, os redutos da Frente Nacional no sul da França tiveram bons resultados: a sobrinha de Marine, Marion Maréchal-Le Pen, liderou o primeiro turno no departamento de Vaucluse, com 34,6% dos votos, e enfrentará no segundo turno dois candidatos, um socialista e um da UMP (direita).

O advogado Gilbert Collard também está em boa posição no departamento de Gard, com 34,6%, diante da candidata do PS (32,9%) e um da UMP, Etienne Mourrut (23,9%), que “vacila” em se manter firme perante o candidato da FN.

Esta hesitação já é um êxito para a herdeira da extrema direita francesa, que tem trabalhado para desestigmatizar o partido de ultradireita do seu pai, Jean-Marie Le Pen, enquanto aguardava a recomposição da direita, abalada pela derrota de Nicolas Sarkozy nas presidenciais.

No entanto, o líder da UMP, Jean-François Copé, lembrou no domingo que “não haverá alianças com a Frente Nacional”.

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