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Ex-chefe do exército lidera apuração das presidenciais em Timor Leste

Por Por Meagan Weymes 16 abr 2012, 14h55

Um ex-chefe do Exército foi eleito nesta segunda-feira presidente de Timor Leste, segundo resultados parciais, e terá pela frente a tarefa de conduzir esta jovem nação asiática devastada por décadas de conflitos e da qual os capacetes azuis da ONU se retirarão no fim do ano.

Segundo resultados parciais publicados depois da apuração da metade dos votos, Taur Matan Ruak, ex-chefe das Forças Armadas, obteve cerca de 60% dos votos no segundo turno da eleição presidencial realizada nesta segunda-feira, com o ex-presidente do Parlamento.

O general Taur Matan Ruak obteve 26% dos votos no primeiro turno, organizado em 17 de março, contra o ex-presidente do Parlamento Francisco Guterres, conhecido como “Lu Olo”. O atual presidente e prêmio Nobel da Paz, José Ramos Horta, foi eliminado ao ficar em terceiro lugar.

Depois de várias décadas de violência, os habitantes da percela oriental de Timor foram às urnas na esperança de uma paz duradoura na hora de designar o sucessor de Ramos-Horta.

A eleição presidencial, seguida das legislativas de 7 de julho, é a segunda desde a independência, ocorrida em maio de 2002, deste minúsculo país de 1,1 milhão de habitantes, em sua maioria católicos.

Os dois candidatos em disputa viveram durante anos na selva, no comando da guerrilha contra as tropas indonésias que invadiram o país depois da retirada da potência colonial portuguesa, em 1975.

“Lu Olo”, de 57 anos, tem como apoio todo o peso de seu partido, a Frente Revolucionária de Timor Leste, que mantém algum prestígio entre a população por ter comandado os combates contra os indonésios.

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Mais de um quarto da população foi dizimado no conflito até 1999.

“Lu Olo” havia sido derrotado de forma esmagadora na última eleição presidencial, em 2007: Ramos Horta ganhou no segundo turno com 69% dos votos.

Taur Matan Ruak, conhecido como “TMR”, um nome de guerra que significa “olhos penetrantes”, foi comandante das Forças de Defesa de Timor Leste (Falintil), o braço armado da Fretilin.

Desde então, jamais deixou de vestir o uniforme, liderando as Forças Armadas até 2011. E foi vestido de militar que este general de 55 anos fez campanha, prometendo instaurar o serviço militar.

As Nações Unidas recomendaram em um relatório que TMR fosse acusado por um suposto tráfico de armas durante os episódios de violência de 2006, quando Timor esteve à beira da guerra civil.

Apoiado pelo CNRT, o partido de centro-esquerda do atual primeiro-ministro Xanana Gusmão, Taur Matan Ruak pode ser afetado pelos escândalos de corrupção que atingiram o governo: a ministra da Justiça foi recentemente suspensa após a abertura de uma investigação contra ela.

O futuro presidente terá grandes desafios pela frente: garantir uma paz duradoura, apesar da saída da força da ONU, prevista para o fim deste ano, e tirar seus compatriotas de uma pobreza que continua sendo endêmica, apesar dos promissores recursos de hidrocarbonetos.

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