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Evidências contradizem versão de Israel sobre ataque mortal a hospital em Gaza, diz agência

Bombardeio em 25 de agosto foi motivado pela presença de câmera que, de acordo com o Exército israelense, pertencia ao Hamas, mas era da 'Reuters'

Por Flávio Monteiro
26 set 2025, 12h40 • Atualizado em 26 set 2025, 12h47
  • A câmera usada como justificativa por Israel para bombardear o Hospital Nasser, em Gaza, não era do Hamas, mas da agência de notícias Reuters. A informação foi revelada nesta sexta-feira, 26, após investigação da própria empresa sobre a ofensiva de 25 de agosto, que deixou 22 mortos, entre eles cinco jornalistas.

    O inquérito promovido pela empresa analisou mais de 100 vídeos e fotos da cena, e conta com o depoimento de duas dúzias de pessoas familiarizadas com o ataque, incluindo dois oficiais militares e dois acadêmicos militares israelenses com contatos dentro das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês).

    De acordo com um oficial militar das IDF, o ataque foi motivado após um drone registrar uma câmera coberta com uma toalha nas escadarias do centro médico. Três entrevistados com informações a respeito das atividades militares israelenses em Gaza apontaram que a câmera era vista como uma ameaça, já que o Hamas (grupo que domina a região) havia utilizado filmadoras para planejar ataques anteriormente.

    Além disso, o funcionário israelense declarou que a toalha era suspeita, já que o material é utilizado para evitar sensores de calor e observações visuais aéreas por parte do exército israelense. “Muitos comportamentos suspeitos que foram rastreados por dias e cruzados com a inteligência”, afirmou ele.

    Nem a câmera, nem o pano, pertenciam ao Hamas. A peça era um tapete de oração pertencente ao jornalista Hussam al-Masri, morto no ataque. Segundo a Reuters, seu funcionário costumava cobrir a câmera com o tapete para protegê-la do calor e da poeira. Testemunhas apontam que nenhum outro profissional no local utilizou uma grande câmera de vídeo como um tripé para gravar daquela posição no hospital, e muito menos cobriu o equipamento com um tapete de oração.

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    Em uma publicação no início deste mês, a agência de notícias Associated Press também havia indicado que a câmera pertencia ao profissional, anexando uma foto de al-Masri ao lado dela nas escadas externas do Hospital Nasser. A Reuters diz que a filmadora foi utilizada 35 vezes na mesma posição em que estava quando ocorreu o ataque. Um porta-voz da empresa afirmou que Tel Aviv nunca emitiu nenhuma orientação para evitar cobrir câmeras com qualquer tipo de pano.

    O resultado do inquérito foi apresentado às IDF, mas nenhuma explicação completa sobre as circunstâncias do ataque foi divulgada pela instituição. Segundo o mesmo oficial que apontou as motivações para o incidente, não houve autorização prévia do comandante encarregado das operações em Gaza para que a ofensiva acontecesse. Não foi esclarecido quem deu as ordens que levaram à morte de 22 pessoas naquele dia.

    Os militares israelenses também não esclareceram por que, nove minutos após destruir a câmera no ataque inicial, voltaram a bombardear as escadarias do hospital, matando equipes de emergência e jornalistas que haviam chegado ao local. Tampouco explicaram se consideraram o uso frequente da escada por profissionais de imprensa para registrar imagens. A Reuters ainda questiona por que as Forças de Defesa de Israel não alertaram os jornalistas presentes ou a equipe do hospital sobre a iminência da ofensiva.

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    A munição utilizada no ataque é outro ponto problemático apontado pelo inquérito. Fotos do local da explosão tiradas por um médico mostram fragmentos de metal, identificados posteriormente como barbatanas de cauda de cartuchos de tanques de 120 mm fabricados em Israel. Cinco especialistas em munições analisaram as imagens dos fragmentos e do ataque antes de confirmar o uso desse armamento.

    Para o ex-conselheiro sênior de alvos e analista de políticas do Pentágono, Wes Bryant, o uso de um projétil de tanque é uma seleção estranhamente desproporcional, já que o objetivo do ataque era atingir uma câmera localizada dentro de um hospital.

    “As IDF operam para mitigar os danos aos civis, tanto quanto possível, incluindo jornalistas”, afirmou um porta-voz das IDF. “Dadas as trocas de tiros em andamento, permanecer em uma zona de combate ativa tem riscos inerentes. As IDF direcionam seus ataques apenas para alvos militares e agentes militares, e não visam bens civis e civis, incluindo organizações de mídia e jornalistas como tais”.

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    Na época, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, definiu o ataque como um “acidente trágico”, algo rejeitado pelo Hamas. Para o diretor do escritório de mídia de Gaza, Ismail Al-Thawabta, a justificativa apresentada pelas IDF de que a câmera estaria filmando as forças militares é “falsa e fabricada”, motivada pela necessidade de “encobrir um crime de guerra de pleno direito contra o hospital, seus pacientes e equipe médica”.

    Desde o início da guerra, aproximadamente 200 jornalistas foram mortos por ataques desencadeados pelas Forças de Defesa de Israel em Gaza, Israel e no Líbano. 

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