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EUA se preparam para novo ‘shutdown’ apesar de acordo entre governo Trump e democratas

Oposição ameaçava paralisar agências federais para travar orçamento do ICE após morte de manifestantes, mas pacto para tratar do tema veio tarde

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 jan 2026, 09h07 • Atualizado em 30 jan 2026, 10h04
  • Três meses após o último “shutdown“, os Estados Unidos devem retornar à meia-noite desta sexta-feira, 30, a uma situação de paralisação orçamentária, apesar do acordo alcançado na véspera entre a Casa Branca e os democratas, que deveria evitar uma crise duradoura.

    Em meio à indignação provocada pelas mortes de manifestantes contrários às operações anti-imigração ordenadas pelo presidente Donald Trump, a oposição democrata havia se recusado a aprovar um pacote de gastos composto por seis projetos de lei destinados a financiar mais de 75% do governo federal. Sua condição para passar a medida era que o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) fosse separado da discussão e renegociado, para incluir salvaguardas sobre o ICE, a polícia migratória, que tornou-se a mais bem financiada agência de segurança pública dos Estados Unidos.

    Responsável por teatrais e truculentas batidas policiais com fins de deportação por todo o país, o ICE está na berlinda pelas mortes de manifestantes em Minneapolis.

    Na quinta-feira, Trump anunciou ter alcançado um compromisso com os democratas para que eles votem a aprovação de cinco dos seis itens que compõem o pacote orçamentário — a parte que diz respeito ao DHS, e, portanto, a agência migratória, será negociada nas próximas semanas. O Senado deve submeter esse novo texto a uma votação nesta sexta, mas, como a versão é diferente da que havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados, a proposta de lei deve retornar à outra casa legislativa, que não poderá avaliá-la até segunda-feira, 2 de fevereiro.

    Assim, o governo federal voltará a entrar em um cenário de paralisação parcial à meia-noite. Ainda que dure pouco, este será o segundo “shutdown” — quando o financiamento de todo ou de diferentes áreas do governo americano é temporariamente congelado — desde que Trump retornou à presidência, em janeiro de 2025, refletindo a divisão da política americana.

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    “O único fator que pode atrasar nosso país é outro longo e nefasto shutdown do governo federal”, afirmou o republicano em sua rede, a Truth Social.

    Indignação

    O presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, declarou que os congressistas estudarão a nova versão assim que retornarem a Washington.

     

    “Vamos fazer isto imediatamente”, declarou à imprensa em Washington, durante o evento de estreia do filme Melania, produzido pela primeira-dama.

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    Na semana passada, tudo indicava que o texto seria aprovado no Senado antes de 31 de janeiro, quando expira o prazo do orçamento temporário que foi alcançado após o shutdown no ano passado, mas os acontecimentos do último sábado em Minneapolis mudaram o rumo da votação.

    As mortes de Renee Good e de Alex Pretti, ambos baleados por agentes federais do ICE e CPB (patrulha de fronteiras) com poucas semanas de diferença nesta cidade do norte dos Estados Unidos, provocaram grande indignação entre democratas e até republicanos.

    “O que o ICE está fazendo é brutalidade sancionada pelo Estado e deve parar. E o Congresso tem a autoridade e a obrigação moral de agir”, disse na quinta-feira o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, antes da votação.

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    As paralisações congelam temporariamente o financiamento de operações federais não essenciais, obrigam as agências a suspender seus serviços e a mandar para casa ou a forçar o trabalho sem pagamento de salário de centenas de milhares de funcionários públicos.

    Segundo o plano atual, departamentos responsáveis por áreas como educação, transporte, habitação, saúde e defesa podem ser afetados.

    Ironicamente, a medida não impactaria tanto o próprio ICE, para o qual foi destinada uma verba de quase US$ 75 bilhões (cerca de R$ 389 bilhões) em quatro anos, por meio de uma lei promovida por Trump e assinada em 2025 que ficou conhecida como Big Beautiful Bill (“grande e bela legislação”, em tradução livre).

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