EUA revelam novos detalhes de suposto teste nuclear da China
Autoridade americana afirma que explosão subterrânea registrada em 2020 teria características compatíveis com teste atômico; Pequim nega
Os Estados Unidos voltaram a acusar a China de ter realizado um teste nuclear subterrâneo secreto em 2020 e divulgaram novos detalhes técnicos que, segundo Washington, reforçariam a suspeita. A denúncia foi feita nesta terça-feira, 17, por Christopher Yeaw, secretário-assistente de Estado, durante evento no centro de estudos Hudson Institute, em Washington.
De acordo com Yeaw, uma estação sísmica remota localizada no Cazaquistão registrou, em 22 de junho de 2020, uma explosão nas proximidades do campo de testes de Lop Nor, no oeste chinês — área historicamente utilizada por Pequim para experimentos nucleares. O abalo teria sido detectado a cerca de 720 quilômetros de distância.
“Examinei dados adicionais desde então. Há pouquíssima possibilidade de que tenha sido algo diferente de uma explosão isolada”, afirmou Yeaw, que é doutor em engenharia nuclear e ex-analista de inteligência. Segundo ele, o sinal não é compatível nem com detonações para mineração nem com terremotos naturais. “É o que se esperaria de um teste com explosivo nuclear”, declarou.
A alegação, no entanto, foi recebida com cautela pela Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO, na sigla em inglês), entidade responsável por monitorar possíveis testes nucleares no mundo. O secretário-executivo da organização, Robert Floyd, informou que a estação sísmica PS23, no Cazaquistão, registrou “dois eventos muito pequenos”, separados por 12 segundos, mas ressaltou que os dados são insuficientes para determinar com confiança a causa.
Segundo Floyd, o sistema global da CTBTO é capaz de detectar explosões nucleares equivalentes a pelo menos 500 toneladas de TNT. Os eventos identificados em 2020 ficaram bem abaixo desse patamar, o que impede uma conclusão definitiva.
Em nota, o porta-voz da embaixada da China em Washington, Liu Pengyu, classificou a acusação como “inteiramente infundada” e acusou os Estados Unidos de fabricarem justificativas para retomar seus próprios testes nucleares. “Trata-se de manipulação política com o objetivo de buscar hegemonia nuclear e escapar de suas responsabilidades de desarmamento”, afirmou.
Pequim sustenta que seu último teste nuclear subterrâneo ocorreu em 1996. O país assinou, mas nunca ratificou, o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares. Os Estados Unidos também assinaram o acordo, mas igualmente não o ratificaram, embora ambos estejam sujeitos à obrigação internacional de não agir contra os objetivos do tratado.
Yeaw afirmou ainda que, caso o teste tenha ocorrido, a China poderia ter utilizado a técnica conhecida como “desacoplamento”, que consiste em detonar o dispositivo dentro de uma grande câmara subterrânea para reduzir a propagação das ondas sísmicas e dificultar a detecção.
O presidente Donald Trump pressiona a China a aderir a um novo acordo de controle de armas que substitua o New START, tratado bilateral entre Estados Unidos e Rússia que expirou em 5 de fevereiro. A ausência de um pacto em vigor alimenta temores de uma nova corrida armamentista nuclear.
Pequim, por sua vez, rejeita participar de um acordo tripartite, alegando que seu arsenal estratégico é muito menor que os estoques americano e russo.
Segundo o Pentágono, a China possui atualmente mais de 600 ogivas nucleares operacionais e pode ultrapassar a marca de 1.000 até 2030, num processo acelerado de modernização e expansão de suas forças estratégicas.





