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EUA proíbem cinco países de continuar a comprar petróleo do Irã

Teerã ameaça fechar o Estreito de Ormuz, por onde 20% do combustível mundial é transportado a cada dia

Em seu anseio de isolar ainda mais o Irã, os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira, 22, a suspensão da autorização para cinco países – Índia, China, Japão, Coreia do Sul e Turquia – manterem suas compras de petróleo iraniano. Com a medida, Washington aplica integralmente as sanções impostas em novembro passado contra Teerã.

As exceções abertas aos três aliados dos Estados Unidos e mais à China e Turquia vão expirar no próximo dia 2 de maio. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, declarou nesta segunda-feira que elas não serão renovadas. “Não vamos mais abrir exceções. Qualquer entidade que interaja com o Irã deve tomar suas devidas precauções e agir com prudência”, afirmou.

Segundo o jornal The New York Times, o Departamento de Estado estima que as exportações de petróleo do Irã alcancem 50 bilhões de dólares e respondam por 40% das receitas do governo. Desde a aplicação das sanções, em novembro, as vendas externas de petróleo iraniano caíram de 2,5 milhões de barris para 800 mil barris diários e contribuíram para aprofundar a crise econômica no país.

A pressão sobre os líderes iranianos tem o objetivo de forçá-los a uma mudança no regime e, em especial, em sua capacidade de construção de arsenal nuclear.  Até o momento, porém, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não encontrou evidências de que o Irã não esteja cumprindo os termos do Acordo Nuclear firmado em 2015 entre Teerã e seis nações, do qual os Estados Unidos se retiraram. Os outros cinco países – Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia.

A iniciativa americana resultou em aumento de 3% nos preços do barril de petróleo na Ásia na manhã desta segunda-feira, que chegaram a 74 dólares.

Como reação, o governo do Irã declarou que continuará exportando petróleo para outros países do mundo. O comandante da Força Naval da Guarda Revolucionária, Alireza Tangsiri, afirmou que o Estreito de Ormuz será fechado caso os navios iranianos não possam cruzá-lo. Trata-se de uma  importante via estratégica da região do Golfo Pérsico, por onde passam 20% dos barris produzidos diariamente no mundo.

“As exportações de petróleo do Irã não serão reduzidas a zero sob nenhuma circunstância, a menos que as autoridades iranianas decidam detê-las”, reagiu uma  fonte do Ministério do Petróleo do Irã, sob condição de anonimato.

O Irã já analisou os cenários possíveis  e tomará, segundo a mesma fonte, as medidas necessárias para seguir com as exportações. A mesma autoridade lembrou que o Irã também tem experiência em contornar as sanções aplicadas pelos americanos.

“O mercado internacional precisa do petróleo iraniano, e a República Islâmica tem muitas opções para vender o petróleo”, disse a autoridade.

Para responder aos impactos da alta do preço do petróleo em seu mercado interno, o governo dos Estados Unidos afirmou que se coordenará com a Arábia Saudita e com os Emirados Árabes Unidos para que haja aumento de produção nos dois países. Com isso, espera estabilizar a oferta no mercado internacional e puxar os preços para os níveis anteriores. Pompeo disse que tudo será feito de um “modo calibrado”.

(Com EFE)