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EUA podem capturar ilha crucial ao Irã para forçar reabertura do Estreito de Ormuz, diz site

Ilha de Kharg fornece 90% das exportações de petróleo do país e tomada pode obrigar negociação, mas acompanha riscos como novo choque nos mercados

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 mar 2026, 11h21 • Atualizado em 20 mar 2026, 12h20
  • Os Estados Unidos estudam planos para ocupar ou bloquear a Ilha de Kharg, no Irã, com o objetivo de obrigar as forças do regime a reabrirem o Estreito de Ormuz, informou o portal de notícias americano Axios nesta sexta-feira, 20. A possibilidade se abre mesmo após o presidente Donald Trump declarar que não desejava envolver tropas terrestres no conflito que abala o Oriente Médio há três semanas, embora não tenha descartado totalmente a possibilidade.

    Com apenas 20 km², a Ilha de Kharg é responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano, abastecida por oleodutos provenientes de campos marítimos nos seus arredores. O Irã é altamente dependente da receita proveniente de combustíveis fósseis, e perder um ativo estratégico tão importante certamente seria um baque.

    Também por isso, qualquer tentativa de tomar a área deve encontrar resistência feroz, com riscos como a exposição das forças americanas ali presentes a ataques com drones e foguetes iranianos em um espaço geográfico pequeno – o que poderia elevar em muito as baixas dos Estados Unidos no conflito, por ora limitadas a 13. Também embute o alto risco de mais um choque no mercado de energia e, pior, uma ocupação sem prazo para acabar.

    No início desta semana, o Pentágono enviou cerca de 2.200 fuzileiros navais para a região, após Trump ter ordenado, na sexta passada, um ataque contra instalações militares em Kharg.

    Escalada do conflito

    A guerra não mostrou sinais de arrefecimento nesta sexta-feira, com um ataque de drone iraniano atingindo uma refinaria no Kuwait e os Estados Unidos e Israel atacando 16 navios de carga iranianos em cidades portuárias do Golfo.

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    Fortes explosões também sacudiram Dubai, onde defesas aéreas interceptaram foguetes, enquanto as pessoas celebravam o Eid al-Fitr, o fim do mês sagrado muçulmano do Ramadã.

    Em outro ataque, Israel atacou posições do governo sírio poucos dias depois de autoridades americanas terem sugerido o uso de forças curdas no país para desarmar o Hezbollah no leste do Líbano – onde outra frente da guerra já deixou mais de mil mortos em meio a combates entre a milícia libanesa aliada de Teerã e as forças israelenses.

    A espiral de violência em toda a região ocorre em meio à disparada dos preços do petróleo e gás e a alertas crescentes sobre um possível choque econômico global. O Irã intensificou seus ataques a instalações de energia nos estados árabes do Golfo depois que Israel bombardeou, na quarta-feira, seu campo de gás natural South Pars. Nesta sexta, duas ondas de ataques com drones iranianos atingiram a refinaria de petróleo de Mina al-Ahmadi, no Kuwait, capaz de processar cerca de 730 mil barris por dia, que já havia sido danificada na véspera.

    South Pars, a parte iraniana do maior campo de gás do mundo, fica no Golfo Pérsico e é propriedade conjunta do Catar. Cerca de 80% da energia gerada no Irã é proveniente de gás natural, ou seja, o ataque representou uma ameaça direta ao fornecimento de eletricidade do país.

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