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EUA pedem que cidadãos deixem Israel imediatamente diante de ameaça de ataque ao Irã

Departamento de Estado autoriza saída de funcionários não essenciais; emissário de Omã tenta última cartada diplomática em Washington

Por Ernesto Neves 27 fev 2026, 11h07 • Atualizado em 27 fev 2026, 11h29
  • Os Estados Unidos recomendaram que seus cidadãos deixem Israel “enquanto houver voos comerciais disponíveis”, em meio à crescente ameaça de um possível ataque americano contra o Irã.

    O Departamento de Estado também autorizou a saída de funcionários do governo considerados não essenciais e de seus familiares.

    O alerta foi emitido após mais uma rodada inconclusiva de negociações entre Washington e Teerã sobre o futuro do programa nuclear iraniano.

    Apesar da sinalização de que novas conversas poderão ocorrer na próxima semana, o presidente Donald Trump já mobilizou dois grupos de porta-aviões na região, preparados para uma eventual ofensiva caso considere que o Irã não esteja comprometido em limitar suas atividades nucleares.

    Em mensagem enviada à equipe da embaixada americana em Israel à 0h04 (horário local), o embaixador Mike Huckabee orientou os funcionários que desejarem sair do país a fazê-lo “HOJE”.

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    Ele alertou para a provável alta demanda por passagens aéreas e recomendou que priorizassem qualquer destino que permitisse conexão posterior para Washington.

    A tensão aumentou após o fim das conversas em Genebra, na noite de quinta-feira. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, principal mediador entre as partes, viajou às pressas a Washington numa tentativa de convencer a Casa Branca a evitar uma ação militar.

    Ele deve se reunir com o vice-presidente JD Vance, considerado dentro do governo o nome mais resistente a novas intervenções militares no Oriente Médio.

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    Em entrevista ao Washington Post, Vance afirmou que “não há chance” de os EUA se envolverem por anos em uma nova guerra no Oriente Médio, mas disse não saber se Trump apoiaria um ataque imediato.

    As divergências entre Washington e Teerã permanecem amplas. O Irã resiste à exigência americana de exportar seu estoque de cerca de 400 quilos de urânio enriquecido a 60% e rejeita abrir mão do direito de enriquecer urânio em seu território.

    O Parlamento iraniano aprovou, em julho passado, uma lei que condiciona a retomada da cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica ao reconhecimento formal desse direito.

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    Teerã afirma que aceita limitar o enriquecimento a níveis necessários para fins civis, atualmente em até 20%, para abastecer o reator de pesquisa da capital, que produz isótopos médicos usados no diagnóstico de doenças. O combustível da instalação é fornecido pela Rússia.

    Uma possível solução para o impasse sobre o estoque de urânio altamente enriquecido seria sua diluição, como ocorreu no acordo nuclear de 2015, abandonado por Trump em seu primeiro mandato.

    As duas delegações devem se reunir na próxima semana, em nível técnico, na sede da AIEA em Viena. O diretor-geral do órgão, Rafael Grossi, deve apresentar um relatório atualizado sobre o acesso dos inspetores às instalações nucleares iranianas durante a reunião trimestral do conselho da agência.

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