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EUA ordenam retirada de militares da maior base no Oriente Médio em meio à escalada com Irã

Medida preventiva no Catar expõe risco de nova tensão militar entre Washington e Teerã

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 jan 2026, 15h37 •
  • O governo dos Estados Unidos ordenou nesta quarta-feira, 14, a retirada parcial de pessoal militar de sua principal base no Oriente Médio, no Catar, em uma resposta preventiva à crescente tensão com o Irã. A movimentação, confirmada por autoridades norte-americanas e por Doha, sinaliza preocupação diante de alertas iranianos de possíveis ataques a instalações militares caso Washington intensifique sua postura contra Teerã.

    A medida afeta especialmente a base aérea de al Udeid, localizada a cerca de 190 quilômetros ao sul do Irã. A instalação funciona como principal centro de operações aéreas da região, abrigando aproximadamente 10 mil militares e civis.

    Em comunicado oficial, o Gabinete de Imprensa Internacional do Catar afirmou que o país está “implementando todas as medidas necessárias para salvaguardar a segurança e a proteção de seus cidadãos”, incluindo ações de reforço de infraestrutura crítica e instalações militares no contexto das atuais tensões regionais.

    O que motivou a retirada

    Segundo fontes diplomáticas, parte dos militares e funcionários da base de al Udeid recebeu ordem para deixar o local até a noite desta quarta-feira como medida de precaução diante da possibilidade de retaliações iranianas.

    A tensão aumentou depois que autoridades iranianas advertiram que bases americanas no Oriente Médio seriam “alvos legítimos” caso os Estados Unidos avancem com operações militares ou outras formas de intervenção no país. Altos funcionários de Teerã, incluindo o ministro da Defesa, reiteraram que instalações de países que apoiem uma ação americana também estariam sob risco.

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    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem condicionado uma ação militar direta à confirmação de mortes de manifestantes pelo governo iraniano e afirma que “tiranos pagarão um preço alto” por reprimir a população. Além disso, ele anunciou recentemente tarifas adicionais para países que mantêm negócios com o Irã, ampliando o clima de confronto.

    A base

    A base é utilizada por militares norte-americanos desde os dias seguintes aos ataques de 11 de setembro. Desde então, tornou-se o principal centro de operações aéreas dos EUA no Oriente Médio, reunindo caças, drones e aviões de reabastecimento. Al Udeid também desempenhou papel crucial nas campanhas militares no Iraque e na Síria e foi ponto central de evacuação durante a retirada dos EUA do Afeganistão em 2021.

    Al Udeid já foi alvo de Teerã em junho do ano passado, quando os EUA bombardearam instalações nucleares iranianas em uma guerra de 12 dias. Na época, o regime lançou mísseis contra a base, como forma de retaliação, mas sem feridos.

    A atual retirada parcial acontece enquanto Washington mantém presença robusta no Oriente Médio e no Golfo Pérsico, com milhares de militares em solo e forte apoio naval, dentro de uma estratégia de dissuasão e proteção a aliados. Segundo dados oficiais, os EUA contam hoje com cerca de 30 mil soldados distribuídos na região — incluindo contingentes no Iraque e na Síria — além de navios da Marinha, entre eles contratorpedeiros com mísseis guiados.

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