EUA negam guerra com a Venezuela em reunião do Conselho de Segurança da ONU
Mike Waltz, representante dos Estados Unidos na ONU, reforça que Maduro e esposa são "narcoterroristas"
O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, afirmou nesta segunda-feira, 5, em reunião do Conselho de Segurança, que Washington não está em guerra com a Venezuela nem com o povo venezuelano e que não há planos de ocupação do território do país sul-americano. Segundo ele, a ação recente conduzida pelos EUA teve caráter estritamente jurídico.
Waltz responsabilizou Nicolás Maduro por “ataques contra o povo americano”, pela desestabilização do hemisfério ocidental e pela repressão interna na Venezuela. De acordo com o diplomata, a operação que resultou na captura do líder chavista teve como objetivo “fazer cumprir a lei”. Ele comparou a ação ao caso do general panamenho Manuel Noriega, detido por forças americanas em 1989 e posteriormente condenado nos Estados Unidos por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e conspiração criminosa.
A reunião do Conselho de Segurança foi convocada após a operação realizada na madrugada de sábado, 3, em Caracas, que levou à prisão de Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. O casal foi transferido para Nova York, onde deve responder a processos na Justiça americana.
Durante o discurso, Waltz reforçou as acusações de narcoterrorismo contra o ex-presidente venezuelano. Segundo ele, Maduro e Flores integrariam uma ampla rede criminosa dedicada ao tráfico internacional de drogas e de armas.
“Os Estados Unidos prenderam um narcotraficante que será julgado sob o Estado de Direito pelos crimes cometidos contra o nosso povo ao longo de 15 anos”, afirmou.
O representante americano disse ainda que Maduro teria acumulado fortuna pessoal “à custa da miséria” de venezuelanos, americanos e cidadãos de outros países.
Waltz também alegou vínculos do chavismo com o grupo Hezbollah e com autoridades do Irã, acusações reiteradas pelo governo dos EUA em processos federais.
No plano político, o diplomata classificou Maduro como um presidente ilegítimo. Segundo ele, o líder chavista se manteve no poder por meio de fraudes eleitorais sistemáticas e não poderia ser tratado como chefe de Estado.
Na eleição de 2024, mais de 50 países rejeitaram o resultado oficial, citando a falta de transparência e a ausência de atas eleitorais. A oposição venezuelana afirma que o vencedor do pleito foi Edmundo González.
Waltz concluiu dizendo que o presidente Donald Trump tentou, no passado, uma saída diplomática para a crise venezuelana e ofereceu alternativas a Maduro, que teriam sido recusadas pelo então mandatário.





