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EUA investigam presidente da Colômbia por tráfico de drogas, diz jornal; Petro nega crimes

'Nunca falei com um narcotraficante', afirmou o mandatário colombiano após reportagens revelarem suspeitas do governo Trump

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 mar 2026, 17h00 • Atualizado em 20 mar 2026, 17h28
  • O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que mantém relação tensa com o homólogo americano, Donald Trump, está sob investigação nos Estados Unidos por possíveis ligações com redes de tráfico de drogas, informaram o jornal The New York Times e a agência de notícias Reuters nesta sexta-feira, 20.

    Segundo três fontes com conhecimento do caso, que falaram ao NYT sob condição de anonimato, as investigações foram abertas por procuradores federais em Manhattan e no Brooklyn. Uma das fontes afirmou que, embora a conduta do presidente esteja sendo examinada como parte dos inquéritos, Petro não é o alvo principal de nenhum deles. A Reuters confirmou a mesma informação.

    As investigações, de acordo com o jornal americano, estão sendo conduzidas por promotores especializados em tráfico internacional de drogas, bem como por agentes da DEA, a agência anti-drogas dos Estados Unidos, e da HSI (Investigações de Segurança Interna). Tanto o NYT quanto a Reuters informaram que os casos estão em seus estágios iniciais; sequer está claro se resultarão em acusações criminais.

    Ainda de acordo com os veículos, não há indícios de que a Casa Branca tenha instigado essas investigações.

    “Nunca falei com um narcotraficante”

    A reportagem indica que os investigadores estão examinando, entre outras coisas, os possíveis encontros do presidente colombiano com narcotraficantes e se sua campanha presidencial solicitou doações deles.

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    Petro negou ter se envolvido com criminosos por meio de uma postagem no X (ex-Twitter), nesta sexta-feira. Ele afirmou, inclusive, que arriscou sua vida e a da família para combatê-lo.

    “Na Colômbia, não há uma única investigação sobre minha relação com narcotraficantes, por um motivo simples: nunca falei com um narcotraficante em toda a minha vida. Pelo contrário, dediquei dez anos da minha vida, arriscando a minha própria existência e causando a ruína da minha família, a denunciar as ligações entre os narcotraficantes mais poderosos e políticos no Congresso da República e nos governos locais e nacionais com esses narcotraficantes durante o que chamo de era do governo paramilitar”, escreveu o mandatário.

    No entanto, veículos de imprensa colombianos já haviam noticiado tentativas de indivíduos ligados ao narcotráfico de financiar a campanha do líder esquerdista. Nesse contexto, seu filho, Nicolás Petro, admitiu à Procuradoria-Geral da Colômbia que dinheiro ilícito foi utilizado na campanha de 2022, embora nenhuma acusação tenha sido formalizada contra o presidente, que alega que as acusações têm motivação política.

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    Rusga diplomática

    Colômbia e Estados Unidos eram aliados históricos em assuntos militares e econômicos, mas, desde que Trump assumiu seu segundo mandato em 2025, ele e Petro protagonizaram os piores momentos da relação bilateral.

    O governo Trump retirou a certificação da Colômbia como aliado no combate às drogas, ao considerar insuficientes os esforços do país sul-americano para deter o tráfico de cocaína para os Estados Unidos. Washington também cancelou o visto de Petro.

    Além disso, americano e colombiano protagonizaram duras confrontações verbais no ano passado e a tensão aumentou após o ataque americano à Venezuela em 3 de janeiro, com ameaças do americano sobre possíveis ações militares na Colômbia. Logo após a operação em Caracas, ele descreveu o colombiano como um “homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos”, acrescentando: “Ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”.

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    O presidente americano disse ainda que lhe parecia “aceitável” realizar uma incursão militar em solo colombiano. Em resposta, seu homólogo afirmou haver agora uma “ameaça real” de ação militar dos Estados Unidos contra a Colômbia, acusou Washington de tratar outras nações como parte de um “império” e afirmou que agentes do ICE, a polícia de imigração americana, de agirem como “brigadas nazistas.

    Ambos diminuíram o tom no início do ano após uma conversa telefônica na qual concordaram em apaziguar os ânimos. Em sua primeira conversa bilateral, os mandatários se comprometeram a realizar ações conjuntas para combater o tráfico de drogas na Colômbia, em especial o Exército de Libertação Nacional (ELN), uma guerrilha que opera na fronteira com a Venezuela.

    A reportagem do NYT situa as investigações contra Petro dentro de um padrão mais amplo de atuação das autoridades americanas contra líderes latino-americanos (em especial os esquerdistas) por supostos vínculos com o narcotráfico. Um exemplo recente é o do próprio Maduro, transferido para Nova York para responder por acusações relacionadas à comercialização de substâncias ilícitas.

    O jornal americano sugere que o ocupante do Salão Oval poderia usar a existência dessas investigações como ferramenta de pressão política, tanto na relação bilateral quanto no cenário eleitoral colombiano, que realizará o primeiro turno das eleições presidenciais em maio próximo. Petro não concorre à reeleição, mas apoia o candidato do partido governista Pacto Histórico, Iván Cepeda.

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