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EUA discutem anexação da Groenlândia e colocam uso da força no radar

Casa Branca afirma que a aquisição do território no Ártico é uma questão de segurança nacional

Por Luiza Zubelli 6 jan 2026, 19h58 • Atualizado em 6 jan 2026, 20h03
  • A Casa Branca confirmou nesta terça-feira que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seus principais assessores estão debatendo publicamente opções para que a Groenlândia, atualmente um território autônomo do Reino da Dinamarca, passe a fazer parte dos EUA, um desdobramento que evocou anseios estratégicos e gerou forte reação internacional.

    Em comunicado enviado em resposta a perguntas da Reuters, o governo reiterou que Trump não descarta o uso das Forças Armadas para concretizar essa ambição, caso seja considerado necessário para proteger interesses de segurança nacional.

    A declaração, inédita em sua franqueza, amplificou temores na Europa sobre o que críticos classificam como uma ruptura com princípios do direito internacional e com normas que regem relações entre aliados.

    Segundo a nota oficial, a administração avalia “uma gama de meios e formas” para avançar sobre o território ártico, que abriga reservas de minerais, potencial de novas rotas marítimas e um ponto estratégico no controle militar do Atlântico Norte.

    E que a securitização da região é vista em Washington como uma prioridade para enfrentar pressões de potências como Rússia e China.

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    A Groenlândia já tem presença militar norte-americana por meio da base de Pituffik, mas a novidade é a menção explícita à possibilidade de ação armada como ferramenta de política externa.

    Trump já manifestou interesse no território desde seu primeiro mandato, chegando a sugerir a compra da ilha em declarações diplomáticas anteriores e durante encontros com líderes da OTAN, nos quais classificou a Groenlândia como essencial para a “segurança internacional”.

    A ideia, então considerada mais retórica do que política, ressurgiu com força após a operação militar norte-americana na Venezuela.

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    O episódio reacendeu temores em Copenhague e em capitais europeias.

    A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, liderou um coro de críticas, afirmando que os EUA não têm direito legal nem moral de anexar um território soberano de um aliado e que qualquer ataque militar a um parceiro da OTAN seria “o fim de tudo” para a aliança transatlântica.

    O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, classificou as declarações americanas como “desrespeitosas” e afirmou que não há motivo para pânico, mas que a soberania da ilha deve ser respeitada.

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    O debate ganhou contornos simbólicos depois que Katie Miller, esposa do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, publicou nas redes sociais uma imagem da Groenlândia coberta pela bandeira americana com a legenda “Em breve”, intensificando a percepção de um projeto que mistura provocação política com a visão expansionista de Washington.

    Na União Europeia, governos da França, Alemanha, Reino Unido, Espanha, Itália, Polônia e Dinamarca divulgaram em conjunto que a Groenlândia “pertence ao seu povo”, rejeitando qualquer pressão externa e reafirmando o compromisso com a soberania do território.

    A postura atingiu Moscou e Pequim, ambas observando de perto as movimentações estratégicas na região do Ártico.

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    Analistas europeus e do think tank geopolítico argumentam que a insistência americana dilui salvaguardas pós-Segunda Guerra Mundial.

    Isso porque são baseadas na cooperação entre aliados e no respeito ao direito internacional, e pode incentivar outras potências a reinterpretar normas semelhantes em suas zonas de influência.

    Já em Washington, defensores da proposta sustentam que o movimento é uma resposta necessária às ambições crescentes de rivais estratégicos, sobretudo no contexto das mudanças climáticas e da abertura de novas rotas comerciais no Ártico.

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    Apesar do tom agressivo nos discursos, líderes groenlandeses têm reiterado que não estão interessados em se tornar parte dos Estados Unidos, ressaltando que o futuro político da ilha deve ser decidido por seus próprios habitantes em conformidade com os acordos de autonomia já estabelecidos com a Dinamarca.

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