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Estônia denuncia que Rússia planeja reforço militar para atrasar rearmamento europeu

Relatório da inteligência estoniana diz que produção bélica russa cresce tão rápido que poderá estocar munição enquanto sustenta guerra na Ucrânia

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 fev 2026, 09h16 • Atualizado em 10 fev 2026, 09h33
  • O serviço de inteligência estrangeira da Estônia afirmou em seu relatório anual publicado nesta terça-feira, 10, que a Rússia está reconstruindo às pressas suas forças militares à medida que a Europa intensifica seu rearmamento.

    “Vemos que a liderança russa está muito preocupada com o rearmamento europeu. Eles veem que a Europa pode ser capaz de realizar uma ação militar independente contra a Rússia em dois a três anos”, disse o chefe do serviço estoniano, Kaupo Rosin, acrescentando que o objetivo de Moscou agora é “atrasar e impedir” que isso aconteça.

    A Estônia, membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e vizinha da Rússia, afirma que a produção de armamentos russos está se expandindo tão rapidamente que Moscou poderá estocar munição para guerras futuras enquanto continua a lutar contra a Ucrânia. No entanto, a inteligência estoniana acredita que não há intenção de ataque contra qualquer membro da Otan neste ano ou no próximo.

    Sobre uma possível ofensiva à Estônia, o documento afirma que, se acontecer, envolveria drones “em terra, no ar e no mar, simultaneamente em todo o território” do país.

    (A Europa) deve investir em defesa e segurança interna, para que, no futuro, a Rússia conclua que não tem chance contra os países da Otan”, disse Rosin.

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    Relações com EUA e China

    O documento afirma também que o Kremlin ainda considera os Estados Unidos como seu principal adversário global, apesar de buscar cooperação para garantir o fim das sanções.

    “Essa mudança decorreu da ambição do Kremlin de explorar a nova administração dos Estados Unidos para restaurar as relações bilaterais e buscar um acordo que formalizaria a derrota da Ucrânia”, afirmou Rosin. “Apesar desse degelo ilusório, os objetivos da Rússia permanecem inalterados: ela busca marginalizar os Estados Unidos e a Otan e remodelar a arquitetura de segurança da Europa de acordo com a visão de Moscou”, acrescentou.

    O documento destaca ainda que a China vê a Rússia como uma aliada útil para conter o avanço do Ocidente, e como fonte de energia caso se torne alvo de sanções em um possível conflito com Taiwan. Segundo o texto, qualquer concessão a Moscou poderia favorecer ambições globais de Pequim.

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