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EUA não têm tropas em solo venezuelano, mas mantêm forças no Caribe, diz Pentágono

Forças americanas seguem em prontidão no Caribe, enquanto Trump não descarta segunda operação militar em Caracas

Por Ernesto Neves 4 jan 2026, 15h41 • Atualizado em 5 jan 2026, 18h28
  • Um dia após o presidente Donald Trump declarar que os Estados Unidos planejavam “administrar” a Venezuela por um período indefinido, autoridades do Departamento de Defesa afirmaram que não há militares americanos no país.

    No entanto, uma força de cerca de 15 mil soldados posicionados em países vizinhos e em uma dúzia de navios de guerra no Caribe “permanece na região em alto estado de prontidão, preparada para projetar poder, se defender e proteger nossos interesses na região”, disse o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, em entrevista coletiva em Mar-a-Lago, na Flórida, no sábado.

    Horas após a operação de comando que resultou na captura de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, Trump sugeriu que poderia haver uma “segunda onda” de ações militares caso os Estados Unidos encontrassem resistência de forças venezuelanas ou de autoridades do governo de Caracas. “Não temos medo de colocar tropas em terra”, afirmou Trump, elogiando os soldados da Delta Force que conduziram a retirada de Maduro e de sua esposa do país.

    Questionado sobre quem administraria a Venezuela, Trump respondeu: “As pessoas que estão bem atrás de mim, nós vamos administrá-la”, apontando para o general Caine, o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Defesa Pete Hegseth.

    O Pentágono, no domingo, não forneceu respostas claras sobre por quanto tempo manterá sua força considerável no Caribe — o maior acúmulo naval na região desde a crise dos mísseis de Cuba, em 1962.

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    Segundo especialistas militares e jurídicos, a concentração de tropas inicialmente visava localizar e destruir lanchas que, segundo a administração Trump, estariam transportando drogas, acusações feitas sem apresentação de provas.

    Desde setembro, forças americanas atacaram 35 embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental, causando ao menos 115 mortes, em ações criticadas por especialistas como ilegais.

    Nos últimos meses, essas forças também apoiaram abordagens a petroleiros sob sanções americanas que tentavam transportar ou recolher petróleo venezuelano.

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    Nos dias que antecederam a operação de sábado, os EUA reforçaram a região com aeronaves de Operações Especiais, aviões de guerra eletrônica, drones armados, helicópteros de resgate e caças.

    Analistas militares interpretaram os reforços de última hora como indicativo de que a única dúvida sobre uma ação militar americana na Venezuela era quando ela ocorreria, e não se ocorreria.

    O episódio intensifica a tensão regional e internacional, provocando reações de governos da América Latina e alertas de especialistas sobre os riscos de instabilidade, aumento de fluxos migratórios e possíveis repercussões legais para os EUA.

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