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Epstein alegou que Trump sabia de abusos e passou ‘horas’ com vítima, diz Câmara dos EUA

Nome do presidente dos EUA aparece em e-mails enviados por bilionário acusado de tráfico sexual de adolescentes

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 nov 2025, 11h59 • Atualizado em 13 nov 2025, 17h50
  • Jeffrey Epstein, bilionário acusado de tráfico sexual de adolescentes que cometeu suicídio na prisão em 2019, citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, várias vezes em troca de e-mails e sugeriu que o republicano sabia dos crimes, mostrou um novo lote de documentos divulgados sobre o caso Epstein pela Comissão de Supervisão da Câmara dos EUA nesta quarta-feira, 12. As correspondências privadas foram enviadas ao longo de 15 anos. 

    Ao todo, três e-mails mandados por Epstein foram tornados públicos: um para a sua cúmplice Ghislaine Maxwell, que foi condenada à prisão por tráfico sexual após a morte do financista, e dois para o escritor Michael Wolff. No primeiro, ele contou que o atual líder americano passou “horas” em sua casa com uma das vítimas. Já para Wolff, disse que era “claro que ele (Trump) sabia das garotas” e pediu conselhos sobre como deveria lidar com a declaração do republicano sobre sua amizade em uma entrevista à emissora americana CNN.

    “Acho que você deveria deixá-lo se enforcar sozinho”, escreveu Wolff. “Se ele disser que não esteve no avião ou na casa, isso lhe dará uma valiosa vantagem em termos de relações públicas e política. Você pode enforcá-lo de uma forma que potencialmente lhe traga um benefício, ou, se realmente parecer que ele pode vencer, você pode salvá-lo, gerando uma dívida.”

    Trump não recebeu nem enviou nenhuma das mensagens, todas enviadas antes dos seus mandatos na Presidência dos EUA. Em depoimento no início deste ano, Maxwell afirmou ao vice-procurador-geral Todd Blanche que “nunca presenciou o presidente em qualquer situação inadequada” e que não se lembrava de ter visto Trump na casa de Epstein. Os dois, disse ela, encontravam-se em eventos sociais.

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    Entenda o caso

    Epstein conviveu com milionários de Wall Street, membros da realeza (notadamente, o príncipe Andrew) e celebridades antes de se declarar culpado de exploração sexual de menores em 2008. As acusações que o levaram à prisão em 2019 ocorreram mais de uma década após um acordo judicial que o protegia. Ele foi encontrado morto por enforcamento pouco mais de um mês após parar atrás das grades.

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    Como promessa de campanha, Trump disse que liberaria os documentos relacionados ao caso se retornasse à Casa Branca. Em janeiro, quando o republicano publicou arquivos sobre a investigação, um clima de insatisfação tomou conta: as informações divulgadas já eram conhecidas. Pressionado, o presidente dos EUA virou alvo de uma teoria da conspiração dentro da sua base política, a Make America Great Again (MAGA), de que está em uma lista secreta de pessoas que se beneficiavam do esquema de Epstein.

    Em setembro, os democratas da Câmara divulgaram uma suposta carta de Trump a Epstein. O documento já havia sido publicado pelo jornal americano The Wall Street Journal em julho, mas o republicano negou a veracidade. Tratava-se de um desenho de uma mulher nua com mensagens insinuantes, parte de um álbum de aniversário organizado para o financista em 2003.

    No X, antigo Twitter, os democratas afirmam que receberam o “bilhete de aniversário de Trump para Jeffrey Epstein, que o presidente disse não existir”, questionando: “O que ele está escondendo? Divulgue os arquivos!”, em referência aos apelos para que todos os documento relacionados ao caso Epstein sejam tornados públicos. A nota assinada por Trump diz, dentro dos contornos de um corpo feminino: “Feliz aniversário – e que cada dia seja outro segredo maravilhoso”.

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    Em resposta, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Taylor Budowich, alegou que a assinatura na carta não é de Trump. Também no X, ele compartilhou documentos assinados recentemente pelo presidente dos EUA numa tentativa de comprovar a falsificação. Mas uma reportagem do jornal americano The New York Times, publicada em 2016, mostra que a assinatura do republicano evoluiu e mudou com o passar do tempo. Os documentos obtidos pelo NYT mostram assinaturas muito parecidas com a do bilhete a Epstein.

    A a relação entre os dois é antiga: eles faziam parte de círculos sociais de elite de Nova York e da Flórida. Em 2002, Trump disse à revista New York que o financista era “fantástico” e “muito divertido de se estar por perto”. Ele também contou que a dupla se conhecia há 15 anos, acrescentando: “Dizem até que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são do tipo mais jovem”.

     

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