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Enviados dos EUA saem ‘desapontados’ de negociação nuclear com o Irã, diz site

Avaliação de emissários será decisiva para eventual decisão de Donald Trump sobre ataque

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 fev 2026, 17h09 • Atualizado em 26 fev 2026, 17h28
  • Os enviados da Casa Branca às negociações nucleares com o Irã deixaram a rodada desta quinta-feira, 26, em Genebra, com avaliação negativa das propostas apresentadas por Teerã, segundo o site americano Axios. A leitura feita por Steve Witkoff e Jared Kushner será determinante para a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre ordenar, ou não, uma ação militar contra o regime iraniano.

    De acordo com o portal, o Irã apresentou uma proposta preliminar já na primeira etapa do encontro. Apesar de sinais de alguma flexibilidade por parte americana, Washington mantém uma exigência central: garantias verificáveis de que Teerã não desenvolverá uma arma nuclear.

    O governo iraniano sustenta que um acordo “justo e rápido” é possível, desde que o reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos, a diluição dos estoques altamente enriquecidos e a exclusão do programa de mísseis balísticos das negociações sejam garantidos.

    Fontes próximas à delegação iraniana, ouvidas pelo Axios, afirmam que Witkoff teria admitido discutir um enriquecimento limitado a até 5% de pureza — nível compatível com uso civil e semelhante ao previsto no acordo nuclear de 2015, firmado durante o governo Obama. O percentual está muito abaixo do necessário para armamento nuclear, mas é politicamente sensível em Washington.

    A presença do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, reforça o caráter técnico do impasse. Após o conflito com Israel, o Irã suspendeu parte da cooperação com a agência, dificultando inspeções e a verificação de estoques próximos ao grau militar.

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    A rodada em Genebra é a terceira tentativa de retomar um acordo desde a guerra de junho de 2025, quando os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Israel e Irã. A ofensiva interrompeu negociações anteriores e elevou o risco de um confronto regional mais amplo.

    Enquanto os negociadores discutem limites técnicos, o contexto político permanece tenso. Em pronunciamento ao Congresso, Trump voltou a acusar o Irã de alimentar “ambições sinistras” e classificou o país como ameaça global, citando o alcance de seus mísseis balísticos. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que seria “um grande problema” caso Teerã se recusasse a incluir o arsenal de mísseis nas tratativas.

    A economia iraniana enfrenta inflação elevada, desvalorização cambial e crescente pressão social. Em entrevista à CBS News, o chanceler Abbas Araghchi afirmou que o país “jamais buscará armas nucleares”, mas reiterou que não abrirá mão do direito à tecnologia nuclear para fins pacíficos.

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    Segundo o jornal britânico The Guardian, Trump deve basear sua decisão na avaliação apresentada por seus enviados após o encontro. O presidente avalia desde ataques limitados, com objetivo de pressionar o regime, até uma campanha mais ampla que poderia enfraquecer ou desestabilizar o governo iraniano.

    Já o The Washington Post informou que os Estados Unidos enfrentam restrições logísticas, com estoques de munição pressionados pelo apoio simultâneo a Israel e à Ucrânia. O The New York Times relatou que Trump considera um ataque pontual já nos próximos dias caso conclua que as negociações fracassaram.

    Teerã advertiu que qualquer ofensiva, ainda que limitada, será tratada como ato pleno de agressão e prometeu retaliação.

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