Em novo processo, governo Trump acusa Harvard de obstruir investigação sobre critérios raciais
Disputa se soma à exigência bilionária feita pelo presidente dos EUA
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou nesta sexta-feira, 13, com uma nova ação judicial contra a Universidade Harvard. A ação acusa a instituição de não colaborar adequadamente com uma investigação federal sobre possíveis critérios raciais em seu processo de admissão.
A ação, apresentada pelo Departamento de Justiça em um tribunal federal de Boston, busca obrigar a universidade a fornecer documentos e dados solicitados pelo governo para avaliar se Harvard descumpriu a decisão da Suprema Corte de 2023 que declarou inconstitucionais programas de admissão universitária que considerem raça como critério.
A ofensiva judicial ocorre menos de duas semanas depois de Trump ter dobrado a aposta contra a universidade ao exigir uma indenização de 1 bilhão de dólares para encerrar investigações envolvendo políticas internas e alegações de falhas no combate ao antissemitismo no campus.
A disputa com Harvard tornou-se um dos símbolos da agenda cultural e educacional de Trump em seu novo mandato. Desde abril do ano passado, a relação entre a Casa Branca e Harvard se deteriorou rapidamente. O governo acusa a instituição — e outras universidades de elite — de promover o que chama de “ideologia woke” e de não proteger adequadamente estudantes judeus durante protestos pró-Palestina em 2024.
Após a universidade se recusar a atender a uma série de exigências do governo, alegando violação da liberdade acadêmica, a administração Trump congelou cerca de 2 bilhões de dólares em repasses federais e passou a ameaçar um corte definitivo do financiamento.
Harvard reagiu judicialmente contra a suspensão dos recursos e acusa o governo de promover uma campanha de pressão política sobre instituições de ensino superior.
O novo processo está ancorado na decisão da Suprema Corte que, em 2023, declarou inconstitucionais políticas de ação afirmativa baseadas explicitamente em raça nos processos de admissão universitária. A sentença obrigou universidades a reformular seus critérios de seleção.
O governo sustenta que precisa analisar documentos internos para verificar se Harvard adaptou efetivamente seus procedimentos à nova jurisprudência. A universidade, por sua vez, afirma estar colaborando “de boa-fé” com as solicitações.
Em nota, um porta-voz declarou que a instituição continuará a se defender contra o que classificou como “ações retaliatórias” iniciadas porque Harvard se recusou a abrir mão de sua independência e de seus direitos constitucionais diante do que considera uma interferência indevida do governo federal.
Até o momento, não há previsão de audiência inicial no processo. A ação aprofunda o embate entre a administração Trump e algumas das universidades mais prestigiadas do país, que acusam a Casa Branca de usar investigações regulatórias como instrumento de pressão política.





