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Em Nova York, Maduro se declara inocente de todas as acusações: ‘Sou um homem decente’

Ditador e ex-primeira-dama foram levados presos como parte de uma operação dos EUA na Venezuela

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 jan 2026, 14h28 • Atualizado em 5 jan 2026, 18h27
  • O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, se declaram inocentes nesta segunda-feira, 5, durante audiência de custódia em um tribunal em Nova York, nos Estados Unidos. O ditador e a ex-primeira-dama foram levados presos como parte de uma operação dos EUA na Venezuela no sábado 3, que incluiu bombardeios a Caracas. Ao menos 40 pessoas morreram, de acordo com o jornal americano The New York Times. Os dois responderão a acusações de “narcoterrorismo”.

    “Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente”, afirmou Maduro.

    Segundo reportagem da emissora CNN, Maduro e Cilia foram arrastados do quarto em que estavam por militares americanos durante a madrugada. Em entrevista à emissora americana Fox News, o presidente Donald Trump disse que assistiu ao vivo à captura, transmitida por agentes que participaram da missão. À agência de notícias Associated Press, o líder do partido governista venezuelano, Nahum Fernández, disse que ambos estavam na residência dentro do complexo militar do Forte Tiuana. Agora, os dois estão presos no Brooklyn.

    + Venezuela ordena prisão de ‘todos’ os americanos envolvidos em captura de Maduro

    Quais são as acusações?

    Em um novo indiciamento divulgado no sábado, os promotores de Manhattan alegam que Maduro supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado, que tinha parcerias com alguns dos grupos narcotraficantes mais violentos e prolíficos do mundo, incluindo os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, o grupo paramilitar colombiano FARC e a gangue venezuelana Tren de Aragua.

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    A acusação contra Maduro na Corte do Distrito Sul de Nova York coloca como réus, além do ditador deposto e sua esposa, o filho do líder venezuelano, Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e Hector Guerrero Flores, conhecido no Niño Guerrero e líder do Tren de Arágua.

    Segundo o documento, Maduro “se associou a seus cúmplices para usar sua autoridade obtida ilegalmente e as instituições que corroeu para transportar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos”. A peça de acusação relembra a controversa trajetória do ditador e imputa a ele, por exemplo, papel de ter movimentado carregamentos de cocaína sob proteção da polícia venezuelana quando era membro da Assembleia Nacional, ter fornecido passaportes diplomáticos a notórios traficantes de drogas e ter facilitado a cobertura diplomática para que criminosos mexicanos pudessem repatriar dinheiro do crime na Venezuela.

    “Maduro Flores permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício, para o benefício dos membros de seu regime governante e para o benefício de seus familiares”, disse o procurador dos Estados Unidos Jay Clayton.

    O documento ganha relevo porque é esta denúncia criminal formal, conhecida no sistema americano como “indictment”, que autoriza acusações criminais graves e a expedição de mandados de prisão internacionais. Acusado de narcoterrostimo, o venezuelano passa a ser enquadrado como risco à segurança nacional dos Estados Unidos com base em uma lei americana criada após os ataques de 11 de setembro de 2001. É na mescla de direito penal, direito internacional e risco à segurança nacional que autoridades do governo norte-americano se fiam para julgar e condenar Maduro.

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