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Em meio à tensão global, Relógio do Juízo Final fica mais próximo da meia-noite

Criado pela ONG Bulletin of the Atomic Scientists, relógio é metáfora para quão próxima a humanidade está da autoaniquilação

Por Flávio Monteiro 27 jan 2026, 15h52 • Atualizado em 27 jan 2026, 16h24
  • Cientistas atômicos fixaram o horário do “Relógio do Juízo Final” para o tempo mais próximo da meia-noite, o ponto teórico de um “apocalipse” nuclear. O ajuste, feito nesta terça-feira, 27, foi o terceiro avanço em direção ao horário nos últimos quatro anos, refletindo a preocupação dos acadêmicos com a instabilidade global.

    O relógio foi criado em 1947 pela ONG Bulletin of the Atomic Scientists como uma metáfora para o quão próxima a humanidade está da autoaniquilação, tendo seu horário definido anualmente. Neste ano, fatores como a instabilidade global envolvendo Estados Unidos, China e Rússia, o conflito em Gaza e o avanço indiscriminado da inteligência artificial foram citados como impulsionadores do ajuste.

    “Em termos de riscos nucleares, nada em 2025 apareceu na direção certa”, afirmou a presidente do Bulletin of the Atomic Scientists, Alexandra Bell, uma especialista em política nuclear que já atuou no Escritório de Controle, Dissuasão e Estabilidade de Armamentos do Departamento de Estado dos EUA.

    Segundo Bell, estruturas diplomáticas de longa data se encontram atualmente sob pressão ou em colapso, e eventos-chave ajudaram a aproximar o relógio da meia-noite. A especialista destacou a manutenção da Guerra na Ucrânia, os bombardeios de Israel e dos EUA no Irã e conflitos fronteiriços entre Índia e Paquistão como acontecimentos que elevaram a tensão global.

    As preocupações também se estenderam à Ásia, onde a China intensificou as ameaças contra Taiwan, e à América do Norte, onde a gestão de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos vem causando desconforto devido à postura agressiva e pouco afeita à diplomacia. Além disso, há preocupações envolvendo o papel da inteligência artificial na disseminação de desinformação global e em um possível uso indevido em sistemas militares e na criação de ameaças biológicas.

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    Ganhadora do Nobel da Paz em 2021 por expor abusos de poder nas Filipinas, a jornalista Maria Ressa lamentou o advento de uma tecnologia que tem a capacidade de circular mentiras mais rapidamente. “Estamos vivendo um Armagedom da informação provocado pela tecnologia que rege nossas vidas, das redes sociais à IA generativa. Nenhuma dessas tecnologias está ancorada em fatos. Seu chatbot não passa de uma máquina probabilística”, disse.

    Tanto Ressa quanto Bell fizeram parte do conselho de especialistas que tomou a decisão sobre o horário do Relógio do Juízo Final neste ano. Os demais eleitores foram Daniel Holtz, Steve Fetter, Inez Fung, Asha M. George e John B. Wolfstal.

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