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Em meio a ataques ao Brasil, governo Trump proíbe críticas a eleições em outros países

Agora, a ordem é clara: relações comerciais são mais importantes do que compromisso dos EUA de defender a democracia mundo afora

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 jul 2025, 11h00 •
  • O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, orientou diplomatas americanos a não comentarem sobre eleições em países estrangeiros, revelou a agência de notícias Reuters nesta sexta-feira, 18. A decisão vai na contramão da tradição dos Estados Unidos de defender a democracia e a transparência nos pleitos mundo afora. Agora, a ordem é clara: as relações comerciais são mais importantes do que os valores, ainda que se tratem de nações autoritárias ou com histórico de fraude eleitoral.

    “Quando for apropriado comentar sobre uma eleição estrangeira, nossa mensagem deve ser breve, focada em parabenizar o candidato vencedor e, quando apropriado, destacar interesses compartilhados em política externa”, disse o telegrama de Rubio, de 17 de julho, obtido pela Reuters. “As mensagens devem evitar opinar sobre a justiça ou integridade de um processo eleitoral, sua legitimidade ou os valores democráticos do país em questão.”

    A circular também destacou que o presidente dos EUA, Donald Trump, “deixou claro que os Estados Unidos buscarão parcerias com países onde quer que nossos interesses estratégicos se alinhem”, em referência a um discurso do republicano de maio em Riad, nos Emirados Árabes, quando criticou “intervencionistas ocidentais” que impediam líderes do Oriente Médio de governarem conforme bem entendessem.

    + The New York Times repercute ‘presente’ de Trump a Lula

    Defesa da ‘soberania’: e o Brasil?

    Um porta-voz do Departamento de Estado disse à Reuters que a mudança era consistente com a ênfase do governo na “soberania nacional”. A nova abordagem se torna irônica no contexto das relações entre EUA e Brasil. Na semana passada, Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros devido ao que definiu como uma “caça às bruxas” ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    O petista, então, respondeu à ameaça e frisou que o “Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”. Lula também disse que o “processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais”.

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    A queda de braço não parou por aí, e Trump publicou nesta quinta-feira, 17, uma carta endereçada a Jair Bolsonaro, reforçando críticas à Justiça brasileira e um suposto “regime de censura”. Segundo ele, o governo brasileiro realiza “ataques à liberdade de expressão, tanto no Brasil quanto nos EUA”. O americano ainda afirma que espera que “o governo do Brasil mude de rota, pare de atacar oponentes políticos e termine seu regime de censura”, acrescentando: “Vou estar observando de perto”.

    “Eu vi o terrível tratamento que você está recebendo nas mãos de um sistema injusto voltado contra você. Este julgamento deve terminar imediatamente!”, disse Trump.

    Bolsonaro está inelegível por 8 anos, por duas condenações no Tribunal Superior Eleitoral, por abuso de poder e uso indevido de meios de comunicação, ao atacar as urnas eletrônicas durante a eleição de 2022, sem provas concretas.

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