Em derrota para Meloni, italianos rejeitam reforma judicial por referendo
Premiê da Itália rejeita renúncia diante do baque incomum, que vem após quatro anos de vitórias em eleições regionais e nacionais
Italianos rejeitaram, nesta segunda-feira, 23, uma proposta de reforma judicial defendida pela primeira-ministra do país, Giorgia Meloni. Um referendo realizado nos dias 22 e 23 de março revelou que a maioria da população (54%) não quer que o governo reescreva a Constituição e reformule o Judiciário italiano, como apoiado pela chefe de governo.
“É claro que lamentamos esta oportunidade perdida de modernizar a Itália, mas isso não altera nosso compromisso de continuar trabalhando com seriedade e determinação para o bem da nação”, escreveu Meloni em suas redes sociais.
A participação no referendo foi maior do que o esperado, chegando a quase 60% do eleitorado. Com a vitória da oposição, ficou claro o atrito entre a coalizão de direita que comanda o governo e os magistrados italianos. Em comemoração à rejeição da proposta, cerca de 50 juristas reuniram-se no tribunal da cidade de Nápoles e cantaram “Bella Ciao”, um hino antifascista da Segunda Guerra Mundial.
A proposta previa a separação das carreiras de juízes e procuradores públicos, e a divisão do Conselho Superior do Magistrado em duas seções, com membros escolhidos por sorteio em vez de eleitos. O argumento do governo era de que as mudanças tornariam o judiciário mais responsável pelos próprios erros e evitariam que cargos mais altos fossem influenciados por motivações políticas. No entanto, ainda de acordo com o governo, a reforma não resolveria um dos principais problemas do judiciário italiano: a lentidão.
Derrota para Meloni
A derrota foi um baque incomum para Meloni, cujo partido teve quatro anos de vitórias em eleições regionais e nacionais. A reforma era o grande projeto do seu governo e, embora tenha sido aprovada em outubro de 2025 pelo Parlamento como uma emenda constitucional que não obteve pelo menos dois terços dos votos, precisava ser ratificada em consulta popular.
“Este referendo constitucional deixou claro que Giorgia Meloni tem a confiança do governo, mas não a do povo. Quando isso aconteceu comigo, renunciei a tudo”, disse Matteo Renzi, político que deixou o cargo de primeiro-ministro após perder um referendo sobre uma reforma constitucional proposta por ele.
“Conseguimos! Viva a Constituição”, declarou em suas redes sociais Giuseppe Conte, também ex-primeiro-ministro e líder do Movimento 5 Estrelas, partido de centro-esquerda.
Meloni desvinculou seu futuro político do resultado do referendo e cumprirá seu mandato até 2027, mas a oposição agora o apresenta como uma consulta popular contra sua gestão. Ela descartou a possibilidade de renunciar em caso de derrota.





