Em conferência na Alemanha, republicanos e democratas criticam ataques de Trump a aliados
Movimento rompe com a tradição de evitar ataques ao líder do país em eventos internacionais
Lideranças republicanas e democratas fizeram críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Conferência de Segurança de Munique, realizada de sexta-feira até este domingo 15, em um movimento que rompe com a tradição de evitar ataques ao líder do país em eventos internacionais.
A conferência ocorre em meio ao que seu presidente, Wolfgang Ischinger, descreveu como uma “crise de credibilidade e confiança sem precedentes”.
O Relatório de Segurança de Munique, publicado anualmente às vésperas do evento, traz nesta edição o título “Em destruição”.
O documento classifica Trump como integrante de uma categoria de “homens da demolição”, líderes que, com uma “política de bola de demolição”, enfraquecem regras e instituições consolidadas. A declaração do ex-presidente de que não precisaria do direito internacional é citada como exemplo dessa postura.
Entre os democratas, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton defendeu que a Europa responda de forma firme e coordenada às ameaças e declarações imprevisíveis de Trump.
Segundo ela, a resistência internacional já mostrou resultados, citando o caso da Groenlândia. Clinton acrescentou que não se deve duvidar das intenções do presidente americano.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, acusou Trump de adotar políticas econômicas e comerciais que enfraquecem os EUA e seus aliados. Ele afirmou que o presidente tenta resgatar práticas do século XIX e criticou sua proximidade com o setor de combustíveis fósseis.
“Nunca na história dos EUA houve um presidente mais destrutivo do que o atual ocupante da Casa Branca em Washington”, disse Newsom.
A senadora Elissa Slotkin apontou que os Estados Unidos atravessam um momento de instabilidade interna, o que gera incertezas sobre a política externa, especialmente em relação à guerra na Ucrânia. Ela alertou que a indefinição pode prolongar o conflito e defendeu uma postura mais clara por parte do país.
Entre os republicanos, o senador Thom Tillis criticou os impactos econômicos das tarifas comerciais impostas por Trump e rebateu declarações de Lindsey Graham, um dos aliados republicanos mais próximos de Trump, que recentemente disse: “quem se importa com quem é o dono da Groenlândia?”.
“Os 85.000 indígenas na Groenlândia se importam com quem é o dono da Groenlândia. E no final do dia, precisamos demonstrar respeito”, afirmou Tillis.






