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Dubai: reino do deserto vive dias de terror em meio a ataques do Irã

Metrópole cosmopolita nos Emirados Árabes Unidos teve rotina glamourosa afetada

Por Flávio Monteiro 3 mar 2026, 11h06 •
  • A glamourosa Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, nada acostumada com a tensão que cerca o Oriente Médio, se vê envolvida em um conflito militar regional desde o último domingo, 1º, quando drones e mísseis lançados pelo Irã atacaram prédios de luxo e o aeroporto local, causando horror nos moradores e turistas da cidade. Na represália iraniana aos ataques de Estados Unidos e Israel, edifícios marcantes no horizonte da cidade foram alvejados e muitas pessoas fugiram para os aeroportos somente para se verem isoladas após o fechamento do espaço aéreo.

    Vídeos publicados nas redes sociais mostram o Aeroporto Internacional de Dubai, um dos mais movimentados do planeta, lotado enquanto passageiros esperam uma forma de deixar a cidade. Outros registros mostram incêndios em hotéis cinco estrelas, como o Burj Al Arab e o Fairmont Dubai.

    “Não consigo acreditar que não haja como sairmos daqui”, disse a britânica Cherisda Elston em entrevista ao jornal americano The New York Times. Ela faz parte dos mais de 20 mil turistas que não conseguiram deixar os Emirados Árabes Unidos desde o início dos ataques iranianos contra cidades onde Washington mantém dezenas de milhares de soldados destacados. Os Emirados Árabes Unidos mantêm uma forte cooperação militar e econômica com os EUA.

    Inicialmente, todos os voos comerciais foram suspensos no país. No entanto, companhias como a Emirates e a Etihad Airways foram autorizadas a operar voos excepcionais para ajudar saídas do país. Enquanto isso, aqueles que seguem em território emiradense terão suas despesas de alimentação e hospedagem pagas pela Autoridade Geral de Aviação dos EAU.

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    Enquanto as vias aéreas seguem interditadas, muitos turistas vêm recorrendo a empresas de segurança privada para deixar Dubai. Os destinos mais comuns são Riade, na Arábia Saudita, e Mascate, em Omã, de onde embarcam em voos comerciais e privados. Segundo o NYT, as empresas que fornecem tais serviços se recusaram a especificar os custos da operação, mas afirmaram ser comparável ao de uma passagem aérea.

    Anteriormente uma empobrecida cidade às margens do Golfo Pérsico, Dubai levou poucas décadas para se transformar em uma metrópole cosmopolita opulenta, repleta de arranha-céus e paisagens deslumbrantes, graças aos petrodólares. Sua paisagem se tornou conhecida por moradores e turistas, que identificam com facilidade edifícios como o Burj Al Arab e admiram a luxuosa área de Palm Jumeirah.

    Mas esse cenário foi abalado. Pedestres que olhassem para cima no domingo podiam ver o enorme edifício que se assemelha a um veleiro em chamas após um ataque de drone, enquanto aqueles que circularam por Palm Jumeirah viram um de seus hotéis cinco estrelas sendo atingido por explosões.

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    “Senti-me muito inquieta ao ver o que podia acontecer ao Burj Al Arab”, disse uma moradora local chamada Dalia à agência de notícias AFP. Ela, que não quis revelar seu sobrenome, estava na popular Kite Beach, uma praia próxima ao edifício, no momento do ataque. “Não pensei que Dubai pudesse realmente perder seus monumentos emblemáticos, mas isso fez com que me perguntasse: e se as coisas realmente saírem do controle?”, completou. 

    A ofensiva também modificou a rotina tradicional na ilha artificial de Palm Jumeirah. Famosa por sua forma de palmeira e lar de mansões e hotéis de luxo, o local é conhecido por ter sido morada de inúmeras celebridades. 

    “Em um momento estávamos lá fora tomando coquetéis e, um minuto depois, estávamos sendo bombardeados”, disse uma expatriada britânica que vive nas proximidades à AFP. Segundo ela, foi preciso se abrigar no porão de seu prédio junto a outras 150 pessoas.

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